Recolha selectiva porta a porta sff

O meu amigo Pedro anda às voltas com um dos muito monos que povoam a cidade desde os anos 80 (se não me falha o Alzheimer) que dá pelo nome de vidrão. Surgiu como a primeira abordagem à recolha selectiva de vidro para reciclagem.

O problema é que estes monos, assim como acontece com os ecopontos, e dada a falha de inteligência do indigena, se transformam rapidamente em depósitos de lixo, onde o preguiçoso do pseudo-cidadão-consciente-e-promotor-de-reciclagem-#not despeja tudo o que lhe apetece, limpando a sua infima consciência e sujando a via pública em quantidades inversamente proporcionais à inteligência.

Por isso temos que voltar a perguntar até que a voz nos doa: para quando a recolha selectiva de lixo porta a porta? E quando poderá ser essa recolha ser feita com o mesmo caixote do lixo do prédio? É que 3 caixotes na portaria pura e simplesmente não cabem. E para quando a inclusão de vidro num desses dias? E quando deixaremos de ter monos espalhados pela cidade mesmo que os pintem e disfarcem de arte urbana?

E para que serve a policia municipal se não multa não fiscaliza não actua não aparece?

O vidrão foi giro, mas já não serve para nada e é um caso de saúde pública que importa resolver já!

Amigo Pedro, estamos contigo!

p.s foto gamada ao Pedro sem qualquer especie de autorização

Reciclar é um placebo! Soluções a sério precisam-se!

Vou ali ao mini-mercado da esquina e compro dois pãezinhos, que estão à venda à unidade. Nada de novo. A menina pega nos pães e entrega-mos dentro da bonita caixinha de plástico. Bonito não é?

Continuamos a assistir placidamente a estas coisas: a nós, consumidores, dão-nos o ónus da reciclagem senão matamos o planeta, vamos para o inferno, somos comparados a macacos, chamam-nos nomes… mas vamos lá a fazer as perguntas certas.

Onde é que começa o desperdício? Quem é que continua a inundar o mercado de coisas desnecessárias que vivem brevemente entre a fábrica e o eco-ponto? Quem é que inventa embalagens desmesuradas e falhas de bom-senso para aquilo que vão transportar?

Segunda parte da aventura, quando cheguei à caixa para pagar fiz o reparo ao gerente da loja… e a resposta? É que as caixas de plástico trazem prazo de validade e ou as usa, mesmo que em coisas aparentemente parvas, ou as deita fora, assim linearmente, senão apanha com uma inspeção e paga multa.

Portanto… a embalagem tem prazo de validade. Porquê? Decompõe-se ao fim de 300 mil anos e pode prejudicar alguém? Vamos a mais perguntas? Quem é que faz e aprova este tipo de legislação? Porquê? Tragam lá os estudos “independentes” que tenho aqui uma trituradora de papel faminta.

Resumindo e relembrando o outro senhor… e o burro sou eu?

 

 

Um dia vou recuperar as bicicletas velhas

Andava por aqui a navegar e dou com estas ideias para dar novo uso a bicicletas abandonadas. Se bem que em Lisboa era mais adequado um projecto para ir removendo os muitos cadeados e correntes de motas e biclas que vão ficando abandonados nos postes. Um dia chegaremos às biclas abandonadas, para já não há.

Mas isto tudo para dizer que gostava de ter espaço para me dedicar à recuperação de duas velhas bicicletas que tenho na terra natal. Duas boas pasteleiras, das antigas, das que pesam, das que têm rodas grandes e travões com um sistema de ferros e luz por dinamo. Coisas sustentáveis, com bancos confortáveis e largos onde um homem se podia sentar e pedalar kilometros a fio sem chegar ao fim do dia a desejar um calção coleante. E sobre isso não me alargo mais.

Voltemos às pasteleiras. Com uma delas tenho uma dívida de recuperação porque ficou a meio para desgosto do tio-avô que ma ofereceu. Mas além dessas ainda existem para lá outras que estão abandonadas e que mereciam melhor sorte. Enfim, triste vida e dura a de uma bicicleta.

Já sei que existem várias oficinas na cidade, uma delas, a Cicloficina dos Anjos, onde a malta pode ir a determinados dias da semana fazer os seus arranjos e recuperações. É uma ideia. Só me falta depois sitio para a guardar, esse é outro assunto, mas recordo-me das tarde divertidas entre correntes e óleo e chaves de parafusos e estas mãos precisam de fazer coisas físicas que isto de passar o dia a teclar e a tratar do virtual e do digital já deixa pouco de substância.

Portanto: resolução 2 do ano que começa (o quê já é Março?): recuperar uma bicla e pô-la em condições de andar colina acima e colina abaixo. Depois é puxar pelo cabedal porque nenhuma delas tem mudanças e algumas subidas ainda são tramadas. Mas as descidas, essas não vai haver pai porque quando embalavam era vê-los passar a alta velocidade.

Se vos der para resolução igual e se os despojos do passado forem inexistentes, há por aí muito site onde se encontram quadros de bicicletas velhas mesmo a jeito de começarem a levar com peças novas.

Tudo por causa de 4 cêntimos

Por causa dum pseudo-motivo ecológico, a maior parte dos grandes supermercados deixaram de dar sacos aos seus clientes e passaram a vendê-los. Acredito que se vendam menos dos que os que se ofereciam, mas ainda assim continua a não ser uma “dor” suficientemente grande para me fazer andar com o meu próprio saco. Por 2 cêntimos compro um saco e atiro para trás das costas o recorrente esquecimento.

Por outro lado, sempre que recuso um saco plástico noutros sítios, para além do alivio moral, não tenho qualquer tipo de “prémio” que me incentive a continuar esta prática.

Até que um dia… no Supermercado Brio tive uma agradável surpresa. A recusa do saco deu-me um desconto de 4 cêntimos. Surpreendido pedi explicações: simples, disseram, aqui damos o primeiro saco e só vendemos o segundo e seguintes, mas para quem não quer levar o saco descontamos o valor.

Não é nenhuma fortuna, mas é um primeiro prémio que em termos de efeito me faz sentir exactamente ao contrário da multa dos outros. Aqui, se não me esquecer, ganho 4. Nos outros perco 2.

E esta é a primeira parte do post. A segunda é mais intrigante.

Sempre que conto esta história aos meus concidadãos, vejo a maior parte a fazer contas de cabeça e a agarrar os buracos do sistema. Coisas do tipo: mas sempre que compras? Mesmo que seja várias vezes ao dia? E se for uma compra de 4 cêntimos não pagas nada? Hum… e ficam a pensar de olhos brilhantes a sonhar com a soma de vários 4 cêntimos por compra.

É o português mais profundo a vir ao de cima, o chico-esperto, o fura-vidas, o amigo da cunha, do esquema, do debaixo da mesa… aquelas que obrigam a que qualquer regulamento ou lei tenha 50 mil páginas para que todas as situações fiquem devidamente cobertas e ninguém possa fazer nada, ou que num cruzamento onde há um sentido obrigatório tenha que existir também a placa de sentido proibido e o proibido virar no sentido oposto.

Somos um povo criativo, sem dúvida… pena que ainda não tenham descoberto que essa criatividade pode ser utilizada noutras coisas que não na trafulhice.

Foto daqui: http://www.flickr.com/photos/lanaost/2543438347/sizes/z/in/pool-plasticbagsblow/