Lisboa 2012, a cidade em ebulição

Hoje, antecipando a semana de férias que se aproxima, voltei a pegar na bicicleta e desci até ao rio, vagueei pela cidade, andei por aí. E descobri que a cidade não parou de se mexer e renovar.

São os novos quiosques na Avenida da Liberdade (que só critico pela forma como ocuparam os passeios sem deixarem espaço para a circulação de peões), é a ala do Terreiro do Paço que se prepara para ser entregue ao lazer, são os novos restaurantes e espaços que abrem todos os dias, em fusões de gostos e sabores, a misturarem tudo com o resto. Ou não fossemos nós um povo de mixturas.

Voltando ao Terreiro do Paço, está lindissimo e agora sim, é uma das praças mais bonitas do mundo. Basta ver como os turistas ali se passeiam cheios de prazer e sol nos olhos. Basta sentir o espaço em frente para se ver que estamos num sítio único.

Mas nem só de turistas. A Baixa está a receber novos públicos, talvez ainda discretos. Penso na StartUp Lisboa e no poder de atração que poderá ter naquela zona da cidade de gente nova, pronta a viver a cidade de outra forma. A dinâmica do Chiado pode alastrar facilmente até à outra colina.

Bicicletas são cada vez mais, também. Já não são aves raras a cruzar o trânsito. Aos poucos começamos a perder o medo de ocupar a estrada que também nos pertence (uns mais que outros claro, que eu ando um desaparecido). Tenho a impressão de que uma decisão rápida sobre o sistema de bicicletas partilhadas, bem pensado, junto aos principais hubs de transportes públicos e alargando a toda a cidade faria uma grande diferença em menos que nada.

Lisboa muda. Lisboa tem vontade de mudar e tem espaço para o fazer e tem um povo que quer ver isso a acontecer.

Estou muito curioso de ver em que lugar vamos estar na lista da Monocle apesar do muito que ainda temos para fazer, mas estes últimos 2 anos anos têm sido tremendos e muito interessantes.

(foto gamada no Facebook do Quiosque TimeOut)

 

 

 

Tudo por causa de 4 cêntimos

Por causa dum pseudo-motivo ecológico, a maior parte dos grandes supermercados deixaram de dar sacos aos seus clientes e passaram a vendê-los. Acredito que se vendam menos dos que os que se ofereciam, mas ainda assim continua a não ser uma “dor” suficientemente grande para me fazer andar com o meu próprio saco. Por 2 cêntimos compro um saco e atiro para trás das costas o recorrente esquecimento.

Por outro lado, sempre que recuso um saco plástico noutros sítios, para além do alivio moral, não tenho qualquer tipo de “prémio” que me incentive a continuar esta prática.

Até que um dia… no Supermercado Brio tive uma agradável surpresa. A recusa do saco deu-me um desconto de 4 cêntimos. Surpreendido pedi explicações: simples, disseram, aqui damos o primeiro saco e só vendemos o segundo e seguintes, mas para quem não quer levar o saco descontamos o valor.

Não é nenhuma fortuna, mas é um primeiro prémio que em termos de efeito me faz sentir exactamente ao contrário da multa dos outros. Aqui, se não me esquecer, ganho 4. Nos outros perco 2.

E esta é a primeira parte do post. A segunda é mais intrigante.

Sempre que conto esta história aos meus concidadãos, vejo a maior parte a fazer contas de cabeça e a agarrar os buracos do sistema. Coisas do tipo: mas sempre que compras? Mesmo que seja várias vezes ao dia? E se for uma compra de 4 cêntimos não pagas nada? Hum… e ficam a pensar de olhos brilhantes a sonhar com a soma de vários 4 cêntimos por compra.

É o português mais profundo a vir ao de cima, o chico-esperto, o fura-vidas, o amigo da cunha, do esquema, do debaixo da mesa… aquelas que obrigam a que qualquer regulamento ou lei tenha 50 mil páginas para que todas as situações fiquem devidamente cobertas e ninguém possa fazer nada, ou que num cruzamento onde há um sentido obrigatório tenha que existir também a placa de sentido proibido e o proibido virar no sentido oposto.

Somos um povo criativo, sem dúvida… pena que ainda não tenham descoberto que essa criatividade pode ser utilizada noutras coisas que não na trafulhice.

Foto daqui: http://www.flickr.com/photos/lanaost/2543438347/sizes/z/in/pool-plasticbagsblow/