E quê? Despenteia-me?

A expressão tem origem numa anedota mais ou menos velha:

Um cidadão, descrito na gíria da anedota como um deficiente todo atrofiado, está sentado num jardim, na sua cadeira de rodas.

Passa uma cidadã, descrita na gíria da anedota como uma boa toda boa daqueles mesmo boas.

O dito cidadão desdobra-se em piropos a roçar o ordinário, coisas do género: anda cá ó boa, fazia-te e acontecia-te e etc.

Vai daí a cidadã retorque-lhe: Ó senhor tenha juizo. Olhe que deus castiga-o!

– Quê? Despenteia-me?

Agora podia acrescentar palavra da salvação antes de fazer a minha breve homilia.

Não vou defender ou atacar ninguém, apenas dizer que tenho uma grande simpatia por figuras da nossa praça, seja qual for o seu quadrante de actuação, que chegam a este nível de liberdade e desprendimento onde a única coisa que têm a temer é que alguém os despenteie. E a maior parte deles já são carecas, logo até o despentear é relativo e pouco os afectará.

Outros, pobres, chegarão a esta idade e deslargam-se de outras formas.

Viva a verborreia.