Changing Places, a cidade inclusiva começa no rés-do-chão

Diz o ditado que quem anda à chuva molha-se e como tenho a mania de andar sempre a pregar ideias para a cidade nos foruns privados e nas conversas entre amigos, a semana passada fui chamado à pedra e lá dei o corpo ao manifesto no Ignite Orçamento Participativo que aconteceu no Terreiro do Paço.

Fui apresentar uma ideia que já andava a boiar à que tempos mas que, ao contrário de outras, ainda não tinha visto a luz do dia. Andava só em circuito interno.

A coisa é simples: porque não recuperar e qualificar habitações de rés-do-chão para realojamento de idosos em situação de isolamento?

Os argumentos apresento-os na apresentação e já tenho a coisa registada e apresentada no Orçamento Participativo.

Se é exequível? Sim, com uma boa gestão dos processos, respeito pelos idosos que devem ser realojados, com custos controlados na requalificação, em rede com as outras instituições da cidade que actuam nesta área, fazendo da ideia mais uma peça do puzzle.

Se é uma ideia sustentável, também acredito que pode ser, depende do modelo de negócio, que deve perseguir o lucro social.

Mas acima de tudo aquilo em que acredito é que os “danos” colaterais de uma ideia destas podem impactar em muito a vida da cidade pelas mudanças que podem introduzir.

A discussão está aberta, qualquer pensamento, sugestão ou critica… caixa de comentário ou email, como preferirem.

As vistas curtas duma cidade

Leio a notícia com alguma apreensão e com a certeza de que isto representa uma curteza de vistas por parte da autarquia lisboeta, coisa que honestamente não esperava.

Afinal a rede de bicicletas partilhadas não vai avançar ou se avançar será de tal forma incipiente que não servirá para nada, a não ser, ser um custo sem proveitos. Já houve uma especie disto com 12 bicicletas 12 instaladas em parques de estacionamento. Nunca as vi em lado nenhum. Foram custo sem proveito.

A decisão encontra oponentes pelos elevados custos. Ok, percebo que a autarquia possa estar curta, mas quando querem os senhores encontram sempre forma de resolver estas coisas.

E olharmos para os proveitos? Seja a curto, médio ou longo prazo só consigo ver melhorias efectivas na cidade: na qualidade do ar, na manutenção de espaços públicos, na revitalização e adesão de mais gente ao transporte público por poder conciliar com a bicicleta partilhada, com a saúde pública pelo exercício constante… já fizeram contas a estes proveitos invisiveis mas capazes de aumentar a qualidade percebida da cidade?

Já por aqui escrevi que a existência dum sistema destes nos liberta de outros problemas, nomeadamente o estacionamento, que já acontecem noutras cidades europeias.

Sinto que a cidade está num momento de ascensão e revitalização que está a chamar a atenção do mundo, estamos a evoluir em bons sentidos, com o apoio às start-ups e ao empreendedorismo, às novas ideias, na abertura de novos espaços, já temos ciclovias a serem usadas de forma muito regular, estamos em crescendo… por favor continuemos, deixem de contar tostões e apostem num veículo de futuro capaz de transformar o espaço público por demais maltratado com tanto carro. O retorno chegará em pouco tempo, e acredito mesmo nisso!

Lisboa 2012, a cidade em ebulição

Hoje, antecipando a semana de férias que se aproxima, voltei a pegar na bicicleta e desci até ao rio, vagueei pela cidade, andei por aí. E descobri que a cidade não parou de se mexer e renovar.

São os novos quiosques na Avenida da Liberdade (que só critico pela forma como ocuparam os passeios sem deixarem espaço para a circulação de peões), é a ala do Terreiro do Paço que se prepara para ser entregue ao lazer, são os novos restaurantes e espaços que abrem todos os dias, em fusões de gostos e sabores, a misturarem tudo com o resto. Ou não fossemos nós um povo de mixturas.

Voltando ao Terreiro do Paço, está lindissimo e agora sim, é uma das praças mais bonitas do mundo. Basta ver como os turistas ali se passeiam cheios de prazer e sol nos olhos. Basta sentir o espaço em frente para se ver que estamos num sítio único.

Mas nem só de turistas. A Baixa está a receber novos públicos, talvez ainda discretos. Penso na StartUp Lisboa e no poder de atração que poderá ter naquela zona da cidade de gente nova, pronta a viver a cidade de outra forma. A dinâmica do Chiado pode alastrar facilmente até à outra colina.

Bicicletas são cada vez mais, também. Já não são aves raras a cruzar o trânsito. Aos poucos começamos a perder o medo de ocupar a estrada que também nos pertence (uns mais que outros claro, que eu ando um desaparecido). Tenho a impressão de que uma decisão rápida sobre o sistema de bicicletas partilhadas, bem pensado, junto aos principais hubs de transportes públicos e alargando a toda a cidade faria uma grande diferença em menos que nada.

Lisboa muda. Lisboa tem vontade de mudar e tem espaço para o fazer e tem um povo que quer ver isso a acontecer.

Estou muito curioso de ver em que lugar vamos estar na lista da Monocle apesar do muito que ainda temos para fazer, mas estes últimos 2 anos anos têm sido tremendos e muito interessantes.

(foto gamada no Facebook do Quiosque TimeOut)

 

 

 

Empreendedorismo e Revitalização da Cidade

Hoje dei com a notícia do lançamento deste curso e achei a coisa muito interessante. Acima de tudo porque pretende ensinar empreendedorismo tendo como objecto e espaço de trabalho a cidade de Lisboa.

Lisboa é uma cidade cheia de oportunidades latentes, de espaços vazios ou abandonados, à espera que algo aconteça. Estive recentemente no Porto e é incrivel ver como a Baixa se tem desenvolvido para lá do primeiro núcleo de “movida” que se gerou na Cedofeita e já contamina outros sítios. É tão agradável andar numa cidade assim. Encontrar lojas antigas transformadas em espaços de venda e ateliers criativos, em bares e restaurantes, ao lado de lojas tradicionais que se mantiveram e que agora ganham novos clientes, logo seguidos de talhos e mercearias a dar cor e a não deixarem que as coisas se fiquem apenas pelo lazer.

E Lisboa? Não temos a Estefânia e o Chile, centro da cidade, em ponto rebuçado? As Avenidas Novas totalmente ao abandono? Alcântara? Alfama? Castelo? Tanta loja abandonada e tanto negócio que se pode inventar.

Empreenda-se! Pim! Revitalize-se e reutilize-se!

Sobre o dito curso, é pena que seja tão caro senão tinham-me lá.

 

O MUDE e as acessibilidades

À direcção do MUDE

Sou um frequentador habitual do MUDE, que muito aprecio pela qualidade da colecção, das iniciativas e do trabalho que tem sido feito, que faz dele um espaço único e merecedor da nossa melhor atenção e recomendação. Pelo trabalho feito tem desde sempre os meus parabéns.

Mas ter sido surpreendido hoje com uma questão de falta de acessibilidade a quem quer visitar o museu com um carrinho de bebe foi uma nódoa que não esperava.

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A aventura da bicicleta

Não fosse a possibilidade de alugar a bicicleta antes de comprar e as dúvidas ainda iam persistir por mais tempo. Mas os senhores da loja são simpáticos e praticam esta modalidade. E assim dei por mim a ciclar por Lisboa, ainda nos passeios e tal, mas já a pedalar. E que bom que está a ser, mesmo com alguma chuva.

Já comprei o cadeado, a bomba de ar e o capacete (um capacete de skater, preto).

E mesmo não tendo acabado ainda o fim-de-semana, posso dizer-vos que ando feliz. Ciclar é mesmo um prazer e agora já não preciso de esperar por Copenhaga para o fazer. Estão a ver que cosmopolita vos saí: ai e tal eu andar de bicicleta é mais em Copenhaga. Agora também o vou fazer em Lisboa e já ando a ver as ciclovias e os espaços mais agradáveis, onde possa levar a pita também.

É claro que Lisboa tem muitas subidas… mas a isso também correspondem belas descidas. E se ontem subi ao Bairro Alto em esforço e com ela pela mão mais de metade do caminho, também o desci com o vento nos (raros) cabelos. E alegremente passo por muitos outros ciclistas. Portanto vamos lá a deixar o preconceito e pedalar em Lisboa. Ao fim de algumas subidas já o percurso Cais-do-Sodré : Campo Grande será uma brincadeira de crianças.

E pronto… vou almoçar e dar mais umas pedaladas por aí que isto sabe mesmo bem.