Changing Places, a cidade inclusiva começa no rés-do-chão

Diz o ditado que quem anda à chuva molha-se e como tenho a mania de andar sempre a pregar ideias para a cidade nos foruns privados e nas conversas entre amigos, a semana passada fui chamado à pedra e lá dei o corpo ao manifesto no Ignite Orçamento Participativo que aconteceu no Terreiro do Paço.

Fui apresentar uma ideia que já andava a boiar à que tempos mas que, ao contrário de outras, ainda não tinha visto a luz do dia. Andava só em circuito interno.

A coisa é simples: porque não recuperar e qualificar habitações de rés-do-chão para realojamento de idosos em situação de isolamento?

Os argumentos apresento-os na apresentação e já tenho a coisa registada e apresentada no Orçamento Participativo.

Se é exequível? Sim, com uma boa gestão dos processos, respeito pelos idosos que devem ser realojados, com custos controlados na requalificação, em rede com as outras instituições da cidade que actuam nesta área, fazendo da ideia mais uma peça do puzzle.

Se é uma ideia sustentável, também acredito que pode ser, depende do modelo de negócio, que deve perseguir o lucro social.

Mas acima de tudo aquilo em que acredito é que os “danos” colaterais de uma ideia destas podem impactar em muito a vida da cidade pelas mudanças que podem introduzir.

A discussão está aberta, qualquer pensamento, sugestão ou critica… caixa de comentário ou email, como preferirem.

Pagar apenas o caminho percorrido

Hoje foi noite de Ignite e tenho mesmo que partilhar connvosco aquela que foi a ideia da noite. Mesmo que já alguém a tivesse pensado, ainda não a tinha visto posta assim de forma tão simples e a dar ideias para tantas evoluções possiveis.

Depois de algumas apresentações a falar da necessidade de mudança um bocado a chover no molhado (sim, yá precisamos de mudar mas por onde a malta precisa de caminhos de acção e sobre isto recomendo, outra vez, a leitura do Switch), chega o Herlander com uma ideia fantástica e cheia de sumo.

E se pagássemos os transportes públicos apenas pelo caminho percorrido? Porque justifica ele que algumas pessoas andam muito pouco e outras andam muito e pagamos todos o mesmo. E se calhar isso não é muito justo ou não incentiva devidamente o uso do transportes públicos.

A ideia vinha completa, baseada num sistema de taxação pelo número de “paragens” usadas e packs de preços e tudo. E nas vantagens apareciam as questões de saúde pública. Ter que andar a pé para poupar algumas paragens seria certamente uma coisa boa.

Reconheço uma grande ideia quando ela me faz nascer outras ideias. E se eu pudesse ganhar paragens de transportes públicos por andar paragens a pé? Ou por andar de bicicleta? E se eu ligasse o consumo de paragens com o uso do carro particular? Com as emissões de CO2 associadas ao meu carro dentro da cidade terem de ser compensadas pelo uso de transportes públicos?

Se pensarmos na componente tecnológica, esta questão resolve-se em 3 tempos. Nas questões do preço, idem. Naturalmente complicamos o modelo de exploração baseado numa taxa única quando o passamos para este tipo de variáveis.

Mas uma coisa é certa, isto é uma ideia de mudança que de forma subtil introduziria mudanças no pensamento e no comportamento das pessoas perante os transportes públicos e a mobilidade na cidade.

Gostei! Foi o virus da noite.

photo gentilmente roubada ao @retorta