Paragens de autocarro

Das muitas peças de “mobiliário” urbano com que tropeçamos todos os dias, há uma que ainda não evoluiu para dar boa resposta às necessidades de quem a usa. Falo da paragem de autocarro.

As que conheço foram desenhadas por um designer que faz coisas sem deixar a secretária, sem experimentar as coisas e sem saber o que as pessoas realmente precisam. Para já deverá deixar de dizer que é designer, uma vez que esta atitude está nos antípodas.

Em oposição vejo projectos que levam a paragem para o universo do hotel de 5 estrelas, ignorando que as mesmas precisam de ser feitas em quantidade, que vão estar presentes em tipos de ruas completamente diferentes, que não podem ou devem ocupar demasiado espaço na rua, que precisam de baixa e fácil manutenção, que devem ser robustas, e ao mesmo tempo, devem apresentar algum grau de conforto e segurança na espera, protecção contra as agruras do meio-ambiente, informação actualizada e acessibilidade.

A paragem de autocarro tal como a conhecemos será uma das principais responsáveis pela desistência de uso do transporte público. Num dia de chuva, qualquer paragem de autocarro é uma bomba relógio imprópria para cardíacos, capaz de atirar com o ego mais elevado para a sarjeta mais próxima.

Posto isto, hoje encontrei um concurso muito curioso, o Seeking Shelter Design Challenge:

Imagine  how a bus stop could be designed to renew, refresh, and connect people. Would you put in a mini community garden box? Solar cells? Bookshelves for  informal book sharing? A small business kiosk?

Os concorrentes terão que ter as ideias mas também prototipar e submete-las a um júri que as vai votar e premiar. Parece-me uma excelente ideia especialmente porque acrescenta um layer novo, o de querer fazer da paragem de autocarro um elemento activo na comunidade.

E agora podemos fazer um brainstorm colectivo e informal. O que é que fariam para tornar a paragem de autocarro mais agradável, mais acessível, mais informativa, mais segura? Que elementos lhe acrescentariam? Com quem a casavam? Paragem de autocarro +  consultas de tarô? Tai chi?

Your turn 🙂

Canudos

Estava para aqui a ler a notícia sobre a obrigação de as universidades darem a conhecer a empregabilidade dos cursos e dei por mim a divagar.

Não ponho em causa que não existam cursos da tanga, que mais parecem pós-graduações que formações de base. Vimos muitos casos desses na euforia do acesso ao ensino superior. Por tudo e por nada se montava um curso superior, a olhar para uma necessidade que o mercado tinha. O problema é que desde a descoberta da oportunidade até sair a primeira fornada de jovens licenciados passavam 4 anos e a oportunidade desvanecia-se e o aluno sentia-se defraudado.

Este é o problema de se olhar para o ensino superior apenas como uma resposta ao mercado. Muito provavelmente já alguém estaria a lançar uma licenciatura seguida de mestrado sobre Facebook, entre muitas outras.

A formação é um percurso que nos deve dar as ferramentas para enfrentar desafios e desafiar-nos a entrar por caminhos diferentes, a aprender outras coisas, relacionadas ou não, paralelas, complementares ou divergentes. Deve adaptar-se aos tempos, naturalmente, mas há uma base de conhecimento que são as fundações para a sua construção futura e que lhe permitirão navegar pelas águas que queira.

Mais que mostrar dados de empregabilidade é importante mostrar portas secundárias e terciárias. Apresentar áreas de trabalho onde o tipo de conhecimentos que o aluno vai receber podem ser interessantes. Revelar tendências de futuro onde esse conhecimento possa vir a ser relevante. Isso sim, pode fazer a diferença.

Pensaram os antropólogos que podiam vir a ser tão importantes nos processos criativos e de inovação? Olhem para o método de trabalho da IDEO e digam lá se não os estão a ver? Entre outros claro.

Ao longo dos anos tenho frequentado vários cursos, e de cada um deles tenho retirado ensinamentos importantes para a minha actividade profissional mesmo que alguns tenham sido feitos apenas por gozo pessoal. O curso de dactilografia feito para encher as férias de verão nos idos de 80 do século passado serve-me para teclar mais depressa, apenas isso.

E para acabar, fico a pensar que as universidades deviam estar a apostar em “adaptarem” algumas das suas licenciaturas aos públicos mais maduros, que já passaram pela universidade, mas que querem voltar, explorar outras áreas de conhecimento, com outro ritmo, outro embalo, outra cadência, com horários pós-laborais e muitos etc’s. Estou a pensar em pessoas que a pensar na empregabilidade escolheram determinados cursos mas agora até gostariam de voltar ao seu sonho e frequentar filosofia ou germânicas ou história ou economia ou cinema ou… apenas pelo prazer de se enriquecerem.

Eu tenho a certeza de que voltarei aos bancos e até já tenho algumas ideias.

 

 

 

Dois dedos de conversa e um documentário

Já vos tinha dito que tenho vontade de partilhar o visionamento do Urbanized e com a preciosa ajuda do Marco Abreu e do CoWork Lisboa, vamos poder fazê-lo no próximo dia 25 de Maio, pelas 18h, no CoWork.

A imagem de cima pode servir de mote de conversa depois do visionamento, afinal, também Lisboa (e o resto do país claro) está cheia de oportunidades de renovação e reutilização.

Estão convidados. Fica o trailer para abrir o apetite 🙂

foto gentilmente gamada aqui

Empreendedorismo e Revitalização da Cidade

Hoje dei com a notícia do lançamento deste curso e achei a coisa muito interessante. Acima de tudo porque pretende ensinar empreendedorismo tendo como objecto e espaço de trabalho a cidade de Lisboa.

Lisboa é uma cidade cheia de oportunidades latentes, de espaços vazios ou abandonados, à espera que algo aconteça. Estive recentemente no Porto e é incrivel ver como a Baixa se tem desenvolvido para lá do primeiro núcleo de “movida” que se gerou na Cedofeita e já contamina outros sítios. É tão agradável andar numa cidade assim. Encontrar lojas antigas transformadas em espaços de venda e ateliers criativos, em bares e restaurantes, ao lado de lojas tradicionais que se mantiveram e que agora ganham novos clientes, logo seguidos de talhos e mercearias a dar cor e a não deixarem que as coisas se fiquem apenas pelo lazer.

E Lisboa? Não temos a Estefânia e o Chile, centro da cidade, em ponto rebuçado? As Avenidas Novas totalmente ao abandono? Alcântara? Alfama? Castelo? Tanta loja abandonada e tanto negócio que se pode inventar.

Empreenda-se! Pim! Revitalize-se e reutilize-se!

Sobre o dito curso, é pena que seja tão caro senão tinham-me lá.

 

Urbanized

O Urbanized foi um dos primeiros projectos que decidi apoiar através do Kickstarter e agora que vi o filme não me arrependo nada de o ter feito. Fiquei mesmo a pensar organizar um visionamento público para quem se interessa pelos temas do urbanismo e pelos desafios que as cidades nos apresentam aos dias de hoje.

É também um filme a oferecer a muitos autarcas e urbanistas e arquitectos que continuam a tomar decisões sem tomarem em conta a experiência ou os desejos dos habitantes, sem os envolverem devidamente, com medo das ideias e opiniões que daí possam vir.

Está na altura de devolver as cidades aos seus habitantes e de as preparar para a necessidade de mudarmos de vida, para uma vida menos dependente dos carros e das fontes de energia necessárias para os porem a mexer, de revitalizarmos os bairros e a vida comunitária… e com tanta matéria prima a ficar disponível é uma parvoíce não a aproveitarmos.

Enquanto não organizar o tal visionamento podem alugar o filme via iTunes e depois dizer coisas.

 

TV Digital – coisas realmente interessantes

De cada vez que passa um anúncio de uma qualquer plataforma de tv digital penso sempre que me estão a vender funcionalidades técnicas que pouco ou nada acrescentam à minha felicidade quando há outras que podiam fazer realmente a diferença para o utilizador. É nitidamente um produto que pensa mais no engenheiro que o concebeu que no gajo que o vai usar.

Por isso, eu, usador da coisa, deixo aqui de borla 2 ou 3 coisas que seriam realmente interessantes para a minha tv digital:

Continue reading “TV Digital – coisas realmente interessantes”

Miudos no Metro (ou nos transportes em geral)

O Metro de Lisboa vai lançar um clube com mascote destinado a sensibilizar os mais novos para a utilização dos transportes públicos. Acho muito bem. De pequenino se torce o pepino diz o povo, e o universo não é sustentável se andarmos todos montados em petróleo. E até que cheguem as alternativas ainda temos muito que penar. Mas adiante.

Aquilo que mais me “incomoda” é que esta utilização dos transportes pela família e pelos miúdos tem outra forma de ser dinamizada e isso passa pela politica de bilhetes e tarifas. Não só mas acima de tudo por aí.

Continue reading “Miudos no Metro (ou nos transportes em geral)”