Eu já sabia!

É uma coisa tenebrosa!

Com a idade, ou sem ela, começamos a ganhar uma noção horrível sobre as coisas, e um esclarecimento mental que nos leva a concluir com antecedência o resultado de certas acções. Ou não acções.

É uma coisa tenebrosa esta do já saber antes de se saber! Mas estava-se mesmo a ver. É aquela coisa de pai que vê que o puto vai mesmo fazer asneira e partir-se todo no chão mas não pode fazer muito a não ser pôr-se a jeito! Dizer “Tu vais cair” ou ficar calado, dá o mesmo resultado.

Mas acima de tudo é importante que eles caiam, que se esfolem todos, que se atirem contra as paredes, que façam asneiras, porque da asneira nasce a luz e o saber faz-se também com a experiência.

O pior de tudo é que isto não acontece só com os filhos. Acontece no geral da vida. E o que mais me lixa é no fim de tudo pensar para com os meus botões “Eu já sabia!”.

Há alturas em que preferia não saber ou não ter razão. A sério! É um sentimento terrível este do “Eu já sabia!”.

E a coisa torna-se pior quando a experiência não serviu de nada e os vemos a fazer a mesma asneira. E só podemos encolher os ombros e ter pena da parede onde vão bater. Não, não dá para atravessar a parede à cabeçada por mais que tentes e ela não se vai desviar! É uma evidência!

E pronto! Eu já sabia! Mas de nada serviu! E agora? Agora nada… o filho não é meu.