Play it again Sam!

Outro dia decidimos começar a ouvir todos os cd’s que existem cá em casa. Por um lado começava a ter a prateleira cheia de acumuladores de pó e estava a precisar de espaço para novos, por outro queria voltar a ouvir todos, um a um, a ver o que tinha resistido ao tempo e que merece ficar.

A prateleira ganhou 3 papeis verdes de legenda: os que ficam, os que estão por ouvir e os que estão em dúvida e talvez precisem duma segunda audição. Os outros ganharam lugar numa caixa de sapatos e devem ir até um cash-converters da vida ver se ganham novo dono.

À velocidade de um ou dois por noite, 3 nas noites boas, já redescobri uma data de coisas. Doutro lado uma pessoa pergunta-se sobre esta ânsia do novo quando temos tanta coisa boa entre mãos que só precisa de ser arejada e de ter a oportunidade de se voltar a apresentar.

Dá-me assim uma cena tipo nostalgia das noites longas em volta de qualquer coisa agradável acompanhada dum bom disco em redundâncias de prazer. Saudades do tempo em que o som enchia o espaço a servir de cama a pensamentos demorados em fumo branco e copos amarelos.

Esta noite redescobri um daqueles cd’s de late night jazz, daqueles de film noir de detectives e loiraças, numa qualquer visão romântica da noite a HP5 400. O Tri-x tinha muito grão.

Seguiu-se Ascenseur pour l’echafaud… e tento lembrar-me se isto era para chegar a alguma conclusão ou se me estava apenas a apetecer deitar palavras em cara ou coroa.

Alguma coisa era…

Play it again Sam!

 

 

 

 

Um manifesto de vida

Andava para aqui a limpar coisas e fui parar a este manifesto… outra vez… talvez porque hoje me sento a pensar no tempo que me foge entre os dedos e na maior parte das vezes a culpa é toda minha.

Tantas vezes que me deito com a sensação de que podia ter feito mais, aproveitado melhor, rentabilizado e optimizado, tornado absolutamente produtivo este bem cada vez mais escasso… o tempo. E tenho que me começar a convencer que a tão prometida reforma não vai chegar para despachar tudo o que fica por fazer. Irra!

Ontem peguei num livro com uma citação interessante…

 “Nothing is more important than an unread library”

John Waters, filmmaker

Talvez mais um que disse aquilo só para se sentir menos culpado com o acumulado na estante… e agora com os formatos electrónicos nem queiram saber os que se acumulam na nuvem à espera… que chova talvez, e como a chuva tarda, assim tardam tantas outras coisas.

E o que é isto? Um desabafo apenas, nada mais do que isso, ou talvez seja mais do que isso.

Ou talvez apenas me apeteça ouvir o som dormente das teclas debaixo dos dedos e ver as letras a desfilarem no ecrã numa imagem que se quer poética. Juntem-lhe um copo de whiskey, os cigarros acesos, a noite escura, o jazz de fundo e ela que me entra pela sala adentro envolta em mistério e a enredar-me em armadilhas sem fim que acabarão comigo deitado numa cama… nem sempre pelos bons motivos.

Pelo rumo que a coisa toma teria que trocar o som das teclas pelo clássico ruido da máquina de escrever. Haverá uma app para isso? Acredito que sim. Se não há faz-se já a seguir.

Escrever… outra das actividades perdidas na areia da ampulheta… provavelmente devia mesmo comprar a máquina de escrever no Cashconverters (para juntar ao laboratório de preto-e-branco) e espero que não apareça por lá um contrabaixo em bom estado:

“Contra-escrita em baixo-contraste”

dá um bom título certamente… de algo, ou se fosse brasileiro… de um filho talvez.

Falta-me também um tema para este ano… ou não consigo definir entre qual deles seja mais interessante, o que é certo é que se misturam todos… e assim é que ficam bonitos.

Não me falta mais nada… apenas dizer que este artigo foi escrito pelo autor com as letras e palavras que aprendeu. Se alguma deles estiver ilegal, multem-na. Não a mim. Se alguma estiver errada, façam uma festa… do erro nascem sempre coisas boas e com tanta asneira à nossa volta porque é que me hei-de importar com um erro ortofotomapa?

Não me importo… porque o que é correto é exportar-me, para equilibrar a balança de pagamentos.

Exporto-me então, com a promessa de que vou acabar um livro e desejos de uma boa vida.