Grandes bigodes

Ainda não percebi se gosto mais de ser aluno ou ser professor, mas como já muita gente disse por aí, ensinar também é aprender e é um desafio porque de repente nos obriga a sistematizar conhecimento, a enquadrá-lo, a dar-lhe contexto e ao mesmo tempo a fazer algumas sínteses que na correria dos dias nem sempre são possíveis.

Esta foi a turma da segunda edição da Pós-Graduação de Gestão da Criatividade e do Design para a Inovação Empresarial (ufa) a quem fui apresentar os conceitos de Transmedia Storytelling e não só. Assumindo a cultura de convergência lancei as pontes com conceitos que normalmente se deixam de fora: user experience, social media, SEO, conteúdos, digital, analógico … ah, e tecnologia.

E porque é que estão todas, e o Moisés, de bigode? É uma longa história ou a boa resposta ao desafio lançado durante as aulas e que se concretizou numa ideia que até pode vir a dar um bom negócio… ou dois. Afinal é esse o objectivo da pós-graduação: inovar e empreender.

A minha parte está para já terminada mas vou ficar de olho nestes bigodes porque até final do ano suspeito que nos vão dar boas surpresas. 🙂

Um manifesto de vida

Andava para aqui a limpar coisas e fui parar a este manifesto… outra vez… talvez porque hoje me sento a pensar no tempo que me foge entre os dedos e na maior parte das vezes a culpa é toda minha.

Tantas vezes que me deito com a sensação de que podia ter feito mais, aproveitado melhor, rentabilizado e optimizado, tornado absolutamente produtivo este bem cada vez mais escasso… o tempo. E tenho que me começar a convencer que a tão prometida reforma não vai chegar para despachar tudo o que fica por fazer. Irra!

Ontem peguei num livro com uma citação interessante…

 “Nothing is more important than an unread library”

John Waters, filmmaker

Talvez mais um que disse aquilo só para se sentir menos culpado com o acumulado na estante… e agora com os formatos electrónicos nem queiram saber os que se acumulam na nuvem à espera… que chova talvez, e como a chuva tarda, assim tardam tantas outras coisas.

E o que é isto? Um desabafo apenas, nada mais do que isso, ou talvez seja mais do que isso.

Ou talvez apenas me apeteça ouvir o som dormente das teclas debaixo dos dedos e ver as letras a desfilarem no ecrã numa imagem que se quer poética. Juntem-lhe um copo de whiskey, os cigarros acesos, a noite escura, o jazz de fundo e ela que me entra pela sala adentro envolta em mistério e a enredar-me em armadilhas sem fim que acabarão comigo deitado numa cama… nem sempre pelos bons motivos.

Pelo rumo que a coisa toma teria que trocar o som das teclas pelo clássico ruido da máquina de escrever. Haverá uma app para isso? Acredito que sim. Se não há faz-se já a seguir.

Escrever… outra das actividades perdidas na areia da ampulheta… provavelmente devia mesmo comprar a máquina de escrever no Cashconverters (para juntar ao laboratório de preto-e-branco) e espero que não apareça por lá um contrabaixo em bom estado:

“Contra-escrita em baixo-contraste”

dá um bom título certamente… de algo, ou se fosse brasileiro… de um filho talvez.

Falta-me também um tema para este ano… ou não consigo definir entre qual deles seja mais interessante, o que é certo é que se misturam todos… e assim é que ficam bonitos.

Não me falta mais nada… apenas dizer que este artigo foi escrito pelo autor com as letras e palavras que aprendeu. Se alguma deles estiver ilegal, multem-na. Não a mim. Se alguma estiver errada, façam uma festa… do erro nascem sempre coisas boas e com tanta asneira à nossa volta porque é que me hei-de importar com um erro ortofotomapa?

Não me importo… porque o que é correto é exportar-me, para equilibrar a balança de pagamentos.

Exporto-me então, com a promessa de que vou acabar um livro e desejos de uma boa vida.

Tudo por causa de 4 cêntimos

Por causa dum pseudo-motivo ecológico, a maior parte dos grandes supermercados deixaram de dar sacos aos seus clientes e passaram a vendê-los. Acredito que se vendam menos dos que os que se ofereciam, mas ainda assim continua a não ser uma “dor” suficientemente grande para me fazer andar com o meu próprio saco. Por 2 cêntimos compro um saco e atiro para trás das costas o recorrente esquecimento.

Por outro lado, sempre que recuso um saco plástico noutros sítios, para além do alivio moral, não tenho qualquer tipo de “prémio” que me incentive a continuar esta prática.

Até que um dia… no Supermercado Brio tive uma agradável surpresa. A recusa do saco deu-me um desconto de 4 cêntimos. Surpreendido pedi explicações: simples, disseram, aqui damos o primeiro saco e só vendemos o segundo e seguintes, mas para quem não quer levar o saco descontamos o valor.

Não é nenhuma fortuna, mas é um primeiro prémio que em termos de efeito me faz sentir exactamente ao contrário da multa dos outros. Aqui, se não me esquecer, ganho 4. Nos outros perco 2.

E esta é a primeira parte do post. A segunda é mais intrigante.

Sempre que conto esta história aos meus concidadãos, vejo a maior parte a fazer contas de cabeça e a agarrar os buracos do sistema. Coisas do tipo: mas sempre que compras? Mesmo que seja várias vezes ao dia? E se for uma compra de 4 cêntimos não pagas nada? Hum… e ficam a pensar de olhos brilhantes a sonhar com a soma de vários 4 cêntimos por compra.

É o português mais profundo a vir ao de cima, o chico-esperto, o fura-vidas, o amigo da cunha, do esquema, do debaixo da mesa… aquelas que obrigam a que qualquer regulamento ou lei tenha 50 mil páginas para que todas as situações fiquem devidamente cobertas e ninguém possa fazer nada, ou que num cruzamento onde há um sentido obrigatório tenha que existir também a placa de sentido proibido e o proibido virar no sentido oposto.

Somos um povo criativo, sem dúvida… pena que ainda não tenham descoberto que essa criatividade pode ser utilizada noutras coisas que não na trafulhice.

Foto daqui: http://www.flickr.com/photos/lanaost/2543438347/sizes/z/in/pool-plasticbagsblow/