Estrada para as praias da Costa 1970? Não! Ontem!

Confesso que não sou um fã da Costa da Caparica. Nem da urbe (?) nem das praias e muito menos da forma desordenada como aquele território de elevado potencial turístico é mal tratado.

Não vou pôr-me a falar dos grandes investimentos que ficaram no papel ou engavetados, mas sim de pequenas acções capazes de mudar a nossa experiência e percepção.

Faz-me confusão chegar à Costa e desembocar num cruzamento martirizante que podia ser uma rotunda, para depois entrar numa avenida que tem rotundas de 100 em 100 metros.

Faz-me confusão que a estrada de acesso às praias se mantenha como em 1970: sem bermas, de faixas mínimas, ladeadas por bairros degradados e apresentando ao turista o pior postal de sempre. Vamos a caminho da praia ou das favelas? Nunca sei. Claro que fazer esta estrada de bicicleta, como o senhor na fotografia, deve ser um susto constante.

Faz-me confusão que o acesso a cada uma das praias seja uma estrada miserável, cheia de buracos e pedras e pó, que desembocam em estacionamentos manhosos, desordenados, caóticos. Se formos à Praia do Meco, por comparação de proximidade, temos isto tudo resolvido e com investimentos mínimos do ponto de vista das estruturas.

Faz-me confusão que tenham criado paragens de autocarro a meio de vias rápidas e ver pessoas a atravessarem troços de estrada onde o condutor já assume que não vai encontrar peões.

Faz-me confusão que aquilo seja um caos urbanístico, semi-barracas, semi-construção-clandestina, semi-casas, semi-tudo.

Afinal a Costa não é nada, é um atentado, é uma coisa a armar ao fino nuns sítios mas favela no outro. Depois de aterrarmos na praia até nos esquecemos da fealdade a que fomos sujeitos, mas como no regresso temos que passar pelo mesmo, suspiramos e perguntamo-nos como é possivel.

Não acredito que os habitantes da Costa tenham tão mau gosto e gostem das coisas como estão. Não acredito que não ambicionem um território melhor, mais bem cuidado, onde as pessoas se sintam bem do principio ao fim, sejam visitantes sejam os próprios habitantes.

Aquilo que deu origem a uma utopia de Cassiano Branco não deve viver bem com este destino.