As férias no Zmar

A ideia não é fazer-vos inveja das minhas férias que agora terminam… ou talvez seja. 🙂 Esta era a minha vista diária.

Descobri o Zmar através de uma amiga sempre atenta a estas coisas e contrariamente ao que é habitual fiz a reserva em Maio. Daí até lá chegar fartei-me de ouvir vozes a bradar aos céus que clamavam que nem mortos, que aquilo estava uma desgraça, que nem daqui a 10 anos, um deserto… etc etc etc.

Pois vim de lá a pensar que se calhar este até foi o melhor dos anos para lá ter passado férias.

Continue reading “As férias no Zmar”

A menina do Rádio Taxis

Hoje fiz uma viagem de taxi bastante “produtiva” mas também muito triste. Fiquei a saber que a Rádio Taxis embarcou nas novas tecnologias e na ânsia de melhor servir o cliente, os serviços vão passar a ser marcados através dum “pc”, ao taxi que for localizado mais perto do local da chamada.

Assim se chega ao fim de um ciclo de histórias delirantes, de sons roufenhos, de discussões acesas, de impropérios, de esquizofrenias entre o rádio da central, o rádio sintonizado num qualquer forum de ouvintes ou numa rádio popular, no vidro aberto para a cidade e para as palavras curtas gritadas aos restantes condutores.

No meio de tudo isto claro que tinhamos que dar também a nossa opinião e prestar toda a atenção às teorias da conspiração e demais delírios do taxista.

Vamos ganhar em silêncio, esperemos.

Com esta revolução, espero que não se vão também as simpáticas telefonistas, com quem tive flirts e casos “amorosos”, que sabiam mais da minha vida que eu, que me estranhavam locais ou horas e muitas vezes me resolviam embrulhos.

Senhoras a quem nunca vi a cara mas para quem imaginei histórias e idades.

… acho que vou sentir falta daquele “RÉEETALIS” cheio de estática… GPRS killed the radio star.

Sobre a organização da tralha

Aproveito a apresentação que Bruce Stearling fez na Reboot para partilhar convosco a forma como devemos reorganizar as coisas, a tralha, a colecção que vamos fazendo ao longo da vida e tornar tudo mais simples.

O processo não se anuncia simples… e a vontade que tenho de o fazer é tanta… o pior é o resto. Mas aqui vai.

Segundo o senhor, toda a nossa “tralha” deve ser dividida em 4 categorias, apenas 4, nada mais que 4:

. Beautiful Things

. Emotional Things

. Tolls, appliances, etc

. Everything Else

Continue reading “Sobre a organização da tralha”

Votos brancos… com linhas diagonais brancas

Sempre que se aproxima uma eleição faço o papel de evangelizador da importância do voto e aos descrentes nas alternativas apresentadas faço a apologia do voto em branco.

Considero que o esforço de ir votar em branco é muito superior ao dos que ficam em casa ou na praia ou no café a praguejar e se abstêm. A abstenção pode ser por qualquer razão, o voto em branco é uma expressão efectiva: não queremos nenhuma das propostas.

Também acho que as eleições em que a abstenção seja superior a 50% não deviam ser válidas. E olhando para o exemplo de alguns países europeus, o abstencionista devia ser penalizado: não tendo benefícios fiscais, por exemplo. Se não gosta do estado em que vive e se não participa… temos pena. Claro que as urnas estariam abertas mais tempo e porque não, durante a semana. Não percebo esta cena do dia de reflexão (só mesmo pelo nosso descanso auditivo) e do voto ao domingo tipo missa.

Adiante…

Bebendo da fonte, o site da CNE, só nas eleições europeias o fenómeno do voto em branco e nulo é mais expressivo. Nas legislativas mal chegam a 2% dos votos com abstenções abaixo dos 40%.

Mas nas Europeias deste ano os brancos e nulos chegaram a 6,63% dos votos, ou seja, mais que os pequenos partidos todos juntos e menos de 2% abaixo do CDS-PP. O suficiente para ter “roubado” um deputado a alguém e alterado todas as contas.

E se olharmos para os resultados por distrito podemos ver que:

. nos Açores os brancos ocupam a 5ª posição (6,34%), acima do PCP e pouco abaixo do BE;

. idem em Aveiro, com 7,50%;

. em Beja, 5,20%, acima do CDS;

e em Bragança, Castelo-Branco, Coimbra, Évora, Guarda, Leiria, Santarém e Setúbal a história repete-se.

Se alguém procura ver nos resultados das eleições um voto de protesto é para aqui que deve começar a olhar, não para os lados.

Reconversão Urbana

As cidades estão desertas… o vento corre nas vielas e assobia… as noites são tenebrosas e assustam… mas os suburdios estão na mesma… e o petroleo a subir… e você, depois de 3 horas de trânsito tem 10 segundos para usufruir da sua sala de estar com lareira e 50 metros quadrados. O tempo ideal para adormecer no caminho antes de chegar ao quarto porque já só tem 3 horas para dormir.

E isto porque tudo, porque você, sua besta, resolveu comprar casa no cu de judas, onde não tem nada, só porque era barato e grande. Grande devia ser o $%&# que o $%&&#$$ no dia dessa decisão. Então não era melhor ter comprado casa na cidade ó estúpido?

Vivias perto do emprego, andavas a pé, passeavas na cidade e isto já não era um deserto. E mais, os montes da Amadora e Queluz eram verdes, não tinham prédios e não havia cheias em Algés.

Era assim que pensava iniciar um guião dum filme mas de repente achei-o muito violento. Vou por outro caminho.

The Slow Money Movement

A propósito do movimento Slow Money, fiquei a pensar nas pequenas lojas de bairro que têm um potencial de oportunidade e poucas o sabem aproveitar, principalmente numa época de crise económica ou de choque petrolífero como o que vivemos este verão.

E na reabilitação e revitalização dos centros urbanos, esta é uma questão essencial.

Não será a dimensão da economia local a que se refere Stowe Boyd no seu artigo, mas é um principio e tem sido muito desprezado na revitalização e reabilitação urbana. Por culpa de todas as partes.

E não sendo resolvido, o dinheiro circula para fora do domínio da proximidade, não promovendo a nossa “aldeia”.

Quando penso no futuro do comércio local penso em serviços que me facilitam a vida e na personalização e proximidade desse serviço, com um nível de preços justo e adequado. Penso em horários diferenciados, adequados ao ciclo de vida do bairro, abertos em contra-ciclo com o meu horário de trabalho. Penso nas entregas em casa, quer a pensar nos idosos quer nas jovens mães quer na minha preguiça em carregar coisas escada acima. Penso nas compras pela quantidade adequada ao meu consumo, sem embalagens superfulas e sem desperdício.

Se este comércio local precisa de ser estimulado e incentivado a mudar, também nós devemos fazer um primeiro esforço para o usar e para o desafiar a mudar. Em nome da comunidade e do bairro ou da aldeia onde vivemos. Para que ela se desenvolva e em última análise se valorize, valorizando efectivamente o nosso investimento imobiliário.

Por outro lado, esta dinâmica introduz ainda factores de segurança na comunidade, porque a torna viva, vivida, sempre em movimento, chamando mais gente a viver nela.

E assim se desenvolve uma aldeia, uma vila, um bairro numa cidade, uma cidade e um país.

Pedibus

Hoje ficou desvendado o mistério dos sinais de Pedibus que tenho visto em alguns sítios da cidade.

E a ideia é excelente, em todos os aspectos. Funciona assim: todos os dias, o pai/mãe de uma criança, fica responsável por acompanhar todas as crianças no caminho para a escola… caminho que se faz a pé.

O ponto de encontro é nos tais sinais de Pedibus, a horas marcadas. Fico à espera dos argumentos do contra.

O artigo completo aqui.