Marcas inteligentes

É engraçado que quando a maior parte de nós pensa em IBM pensa em computadores do tempo dos dinossauros e numa empresa que aparentemente terá morrido engolida pelos google’e e microsofts da vida.

Pois aparentemente pensamos mal e já há algum tempo que acompanho alguns dos seus sites dedicados à vida nas cidades, ao suporte tecnológico para cidades mais eficientes e melhor geridas, à captação de ideias em volta do tema, etc.

Esta ultima campanha para a promoção do site People4Smartercities é muito boa e marca que de facto, a marca pensa e respira a vida nas cidades.

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Deixo-vos o vídeo e as imagens via CR

IBM & Ogilvy France Create Ads With A New Purpose in its latest “People For Smarter Cities” from Ogilvy Paris on Vimeo.

As vistas curtas duma cidade

Leio a notícia com alguma apreensão e com a certeza de que isto representa uma curteza de vistas por parte da autarquia lisboeta, coisa que honestamente não esperava.

Afinal a rede de bicicletas partilhadas não vai avançar ou se avançar será de tal forma incipiente que não servirá para nada, a não ser, ser um custo sem proveitos. Já houve uma especie disto com 12 bicicletas 12 instaladas em parques de estacionamento. Nunca as vi em lado nenhum. Foram custo sem proveito.

A decisão encontra oponentes pelos elevados custos. Ok, percebo que a autarquia possa estar curta, mas quando querem os senhores encontram sempre forma de resolver estas coisas.

E olharmos para os proveitos? Seja a curto, médio ou longo prazo só consigo ver melhorias efectivas na cidade: na qualidade do ar, na manutenção de espaços públicos, na revitalização e adesão de mais gente ao transporte público por poder conciliar com a bicicleta partilhada, com a saúde pública pelo exercício constante… já fizeram contas a estes proveitos invisiveis mas capazes de aumentar a qualidade percebida da cidade?

Já por aqui escrevi que a existência dum sistema destes nos liberta de outros problemas, nomeadamente o estacionamento, que já acontecem noutras cidades europeias.

Sinto que a cidade está num momento de ascensão e revitalização que está a chamar a atenção do mundo, estamos a evoluir em bons sentidos, com o apoio às start-ups e ao empreendedorismo, às novas ideias, na abertura de novos espaços, já temos ciclovias a serem usadas de forma muito regular, estamos em crescendo… por favor continuemos, deixem de contar tostões e apostem num veículo de futuro capaz de transformar o espaço público por demais maltratado com tanto carro. O retorno chegará em pouco tempo, e acredito mesmo nisso!

Um dia vou recuperar as bicicletas velhas

Andava por aqui a navegar e dou com estas ideias para dar novo uso a bicicletas abandonadas. Se bem que em Lisboa era mais adequado um projecto para ir removendo os muitos cadeados e correntes de motas e biclas que vão ficando abandonados nos postes. Um dia chegaremos às biclas abandonadas, para já não há.

Mas isto tudo para dizer que gostava de ter espaço para me dedicar à recuperação de duas velhas bicicletas que tenho na terra natal. Duas boas pasteleiras, das antigas, das que pesam, das que têm rodas grandes e travões com um sistema de ferros e luz por dinamo. Coisas sustentáveis, com bancos confortáveis e largos onde um homem se podia sentar e pedalar kilometros a fio sem chegar ao fim do dia a desejar um calção coleante. E sobre isso não me alargo mais.

Voltemos às pasteleiras. Com uma delas tenho uma dívida de recuperação porque ficou a meio para desgosto do tio-avô que ma ofereceu. Mas além dessas ainda existem para lá outras que estão abandonadas e que mereciam melhor sorte. Enfim, triste vida e dura a de uma bicicleta.

Já sei que existem várias oficinas na cidade, uma delas, a Cicloficina dos Anjos, onde a malta pode ir a determinados dias da semana fazer os seus arranjos e recuperações. É uma ideia. Só me falta depois sitio para a guardar, esse é outro assunto, mas recordo-me das tarde divertidas entre correntes e óleo e chaves de parafusos e estas mãos precisam de fazer coisas físicas que isto de passar o dia a teclar e a tratar do virtual e do digital já deixa pouco de substância.

Portanto: resolução 2 do ano que começa (o quê já é Março?): recuperar uma bicla e pô-la em condições de andar colina acima e colina abaixo. Depois é puxar pelo cabedal porque nenhuma delas tem mudanças e algumas subidas ainda são tramadas. Mas as descidas, essas não vai haver pai porque quando embalavam era vê-los passar a alta velocidade.

Se vos der para resolução igual e se os despojos do passado forem inexistentes, há por aí muito site onde se encontram quadros de bicicletas velhas mesmo a jeito de começarem a levar com peças novas.

Co-Criação e Design Generativo

Já no blog da Active andei a dissertar sobre bio-conteúdos, uma das coisas que me tem andado a martelar as ideias. E desde que vi a primeira impressora 3D em acção na saudosa Reboot em 2009, que acredito que o futuro está nestas novas formas de criar, produzir, inventar, inovar, gerar, renegerar.

Olhar para o potencial que nos trazem estas novas tecnologias de criação é quase pensar em nós como Deuses… já se imprimem orgãos humanos, já se imprime comida, já se imprimem peças à medida e acima de tudo à nossa medida. Já se fizeram coisas para reciclar o plástico em casa e gerar material para imprimir peças novas. A caminho duma nova forma de sustentabilidade, podemos também dizer.

Outro dia deparei-me uma frase de Avinash Rajagopal no seu livro Hacking Design e que me fez todo o sentido. Já não estamos a falar de DIY (do it yourself) mas a falar de Do It For Yourself. Se isto não faz sentido então expliquem-me porque é que tanta a gente gosta de personalizar a capa do seu telemóvel ou de ter uma coisa única, exclusiva, diferente de toda a gente. E réplicas?

Hoje li um artigo, que se aproxima da minha ideia do bio-conteúdo. Um senhor do MIT quer apostar no 4D, em mobilia que se possa montar a ela própria, por exemplo:

Thus, while 3-D printing uses plastic to build computer renderings, 4-D printing involves printing materials that then turn into whatever you’re trying to make.

A brincar aos deuses, sem dúvida, deixa lá o teletransporte, isto é muito mais interessante. Resumindo, sim, estou totalmente apaixonado por isto e não acabo o ano sem mandar vir a 3D print cá para casa.

De caminho, e se este tema também vos interessa, deixo o desafio de espreitarem a novissima pós-graduação do IADE, Co-Criação e Design Generativo para a Inovação ou passem pelo Facebook e façam perguntas aos mentores da coisa, o Américo Mateus e o Brimet Silva.

O pequeno disclaimer deste artigo é que sim, depois de anos de costas voltadas, me voltei a aproximar do IADE e até lá dou umas aulas de vez em quando, mas a novidade e importância do assunto sobrepôe-se a isso tudo.

Paragens de autocarro

Das muitas peças de “mobiliário” urbano com que tropeçamos todos os dias, há uma que ainda não evoluiu para dar boa resposta às necessidades de quem a usa. Falo da paragem de autocarro.

As que conheço foram desenhadas por um designer que faz coisas sem deixar a secretária, sem experimentar as coisas e sem saber o que as pessoas realmente precisam. Para já deverá deixar de dizer que é designer, uma vez que esta atitude está nos antípodas.

Em oposição vejo projectos que levam a paragem para o universo do hotel de 5 estrelas, ignorando que as mesmas precisam de ser feitas em quantidade, que vão estar presentes em tipos de ruas completamente diferentes, que não podem ou devem ocupar demasiado espaço na rua, que precisam de baixa e fácil manutenção, que devem ser robustas, e ao mesmo tempo, devem apresentar algum grau de conforto e segurança na espera, protecção contra as agruras do meio-ambiente, informação actualizada e acessibilidade.

A paragem de autocarro tal como a conhecemos será uma das principais responsáveis pela desistência de uso do transporte público. Num dia de chuva, qualquer paragem de autocarro é uma bomba relógio imprópria para cardíacos, capaz de atirar com o ego mais elevado para a sarjeta mais próxima.

Posto isto, hoje encontrei um concurso muito curioso, o Seeking Shelter Design Challenge:

Imagine  how a bus stop could be designed to renew, refresh, and connect people. Would you put in a mini community garden box? Solar cells? Bookshelves for  informal book sharing? A small business kiosk?

Os concorrentes terão que ter as ideias mas também prototipar e submete-las a um júri que as vai votar e premiar. Parece-me uma excelente ideia especialmente porque acrescenta um layer novo, o de querer fazer da paragem de autocarro um elemento activo na comunidade.

E agora podemos fazer um brainstorm colectivo e informal. O que é que fariam para tornar a paragem de autocarro mais agradável, mais acessível, mais informativa, mais segura? Que elementos lhe acrescentariam? Com quem a casavam? Paragem de autocarro +  consultas de tarô? Tai chi?

Your turn 🙂

Há um novo crítico musical no activo

Hoje, desafiado pelo Pedro Rebelo, iniciei uma nova faceta na minha carreira de escrevedor sem termos num site chamado MyJazzFestival, onde se escreve sobre ranchos folclóricos e outras músicas tradicionais portuguesas, para concorrer com o Tiago Pereira e a sua saga.

Enquanto não acertamos com o tema, até porque aqui na rua não há muitas velhas cantadeiras e o tempo para viajar é curto, vamos escrevendo sobre jazz. Sim, não sou só eu… há lá mais descansem.

E agora perguntam vocês, porque raio ou que espectro de formação tenho eu para me pôr a dissertar sobre jazz ou qualquer outra musica? Pois realmente não sei e confesso que tão pouco estou interessado. É um género de musica que gosto de ouvir, em quase todas as suas variações. Não conheço nem 1% dos músicos ou bandas que por ai andam, mas isso torna a minha descoberta mais agradável. Ah, vou ao Jazz em Agosto todos os anos como quem vai a Fátima dim-joelhos.

Isto levou-me a recordar o que foi o meu percurso de descoberta e sobre isso escreverei algo mais detalhado lá no tal site.

É um projecto em desenvolvimento a precisar de umas quantas Jam Hacking Sessions, mas é para isso que servem as tardes de convívio. E se uma pessoa não se divertir nos intervalos da chuva, queixa-se que está de chuva? Comprem uma sombrinha, bonita palavra em desuso.

Até jazz!

Share it!

Quando por cá andamos a defender o uso da bicicleta como solução de mobilidade, quando já começamos a ter ciclovias e ecopistas e até alguns pontos de estacionamento, quando até já temos ladrões de bicicletas, vale a pena começarmos a pensar em alguns dos efeitos secundários deste movimento e a agir antes que seja tarde.

Ser dono?

A foto deste artigo é de um dos maiores parques de estacionamento de bicicletas em Amsterdão e acreditem-me, não é o único nem é suficiente. Os passeios estão cheios delas, em muitas montras encontramos sinais de proibido estacionar, algumas ruas tornam-se insuficientes para a circulação normal de pessoas e bicicletas e estacionamento, o que retira à cidade toda a boa onda obtida com este movimento.

Sendo uma cidade de canais, encontrei muitos batelões, propriedade da “autarquia”, a servirem de estacionamento. Mas mesmo assim, e mesmo grátis, não chegam nem para metade das necessidades.

Bicicletas sim, muitas e cada vez mais, mas teremos que ser donos delas? Teremos que as ter espalhadas por todo o lado à espera de serem usadas, a ocuparem espaço público e a perturbarem a livre circulação de peões?

Partilhar?

Noutras cidades, e tomando o exemplo de Paris que me pareceu o mais eficaz, optaram pelas bicicletas partilhadas em coordenação com os transportes públicos, o que leva a que sejam necessárias menos bicicletas para servir mais pessoas, que seja necessário menos espaço para estacionamento e a que mais pessoas usem a bicicleta em trajectos de proximidade, deixando para o transporte público a parte mais complicada ou longa dos percursos.

Espalhados pela cidade encontramos pontos de estacionamento/levantamento das bicicletas, quase sempre nas proximidades das estações de metro ou nos grandes terminais de transportes. Ao longo do dia reparei que alguns carros faziam o transbordo de bicicletas entre zonas onde já havia demasiadas para zonas onde faziam falta. Não é difícil imaginar que pela manhã, e pensando em Lisboa, as bicicletas no Campo Grande estivessem em falta e no Saldanha sobrassem.

Usar, partilhando!

Quanto mais penso nas questões do consumo e na sustentabilidade do mundo, mais fico adepto das soluções de partilha, de uso comunitário e de consumo colaborativo.

Se a solução das bicicletas partilhadas pode levar a que mais gente as use juntamente com o transporte público (e ajudando a que sejam auto-sustentáveis), evitando carros em circulação, reduzindo o nosso consumo fóssil e a nossa dependência da energia exterior, reduzindo poluição, ganhando em saúde pública e na qualidade do ar que respiramos, nos benefícios pessoais pelo exercício físico diário e regular, então diria que não há outra coisa a fazer que não seja implementar esta ideia.

Ao poder local pedimos apoio institucional para que os processos de licenciamento sejam céleres e os esforços de coordenação com a rede de transportes facilitada, eventualmente até revista, dado o impacto positivo esperado.

As coisas debaixo do nariz: lusofonia, Açores e etc

A edição deste mês da Monocle é dedicada à Lusofonia e ao potencial de negócio e de desenvolvimento que tem por detrás, chamando a atenção do resto do mundo para esta realidade.

Mas aqui para nós que somos lusófonos, aquilo que a revista faz é meter-nos à frente dos olhos o que tem estado debaixo do nosso nariz e que por isso mesmo temos sempre alguma dificuldade em ver ou em conceber que pode ser feito de maneira diferente.

O artigo sobre os Açores e as ideias que levanta para o melhor aproveitamento da região é prova disso mesmo. Precisamos mesmo de fazer um reset e olhar para as coisas com olhos frescos e pensamento positivo e perceber como é que de facto as podemos aproveitar melhor em nosso próprio proveito. Voltando aos Açores, a história de como é que o chá acabou a ser plantado na ilha é a prova disso. E para quem não sabe (eu não sabia), é o único sitio da Europa onde se planta chá.

E não temos que esperar que alguém venha dar autorização nem precisamos que alguém escreva um desígnio nacional para que as coisas se começem a desenrolar. Vamos é arregaçar as mangas e começar. Depois logo se vê.

Não sei se já aterrou por cá mas assim que puderem comprem e leiam.

 

Play it again Sam!

Outro dia decidimos começar a ouvir todos os cd’s que existem cá em casa. Por um lado começava a ter a prateleira cheia de acumuladores de pó e estava a precisar de espaço para novos, por outro queria voltar a ouvir todos, um a um, a ver o que tinha resistido ao tempo e que merece ficar.

A prateleira ganhou 3 papeis verdes de legenda: os que ficam, os que estão por ouvir e os que estão em dúvida e talvez precisem duma segunda audição. Os outros ganharam lugar numa caixa de sapatos e devem ir até um cash-converters da vida ver se ganham novo dono.

À velocidade de um ou dois por noite, 3 nas noites boas, já redescobri uma data de coisas. Doutro lado uma pessoa pergunta-se sobre esta ânsia do novo quando temos tanta coisa boa entre mãos que só precisa de ser arejada e de ter a oportunidade de se voltar a apresentar.

Dá-me assim uma cena tipo nostalgia das noites longas em volta de qualquer coisa agradável acompanhada dum bom disco em redundâncias de prazer. Saudades do tempo em que o som enchia o espaço a servir de cama a pensamentos demorados em fumo branco e copos amarelos.

Esta noite redescobri um daqueles cd’s de late night jazz, daqueles de film noir de detectives e loiraças, numa qualquer visão romântica da noite a HP5 400. O Tri-x tinha muito grão.

Seguiu-se Ascenseur pour l’echafaud… e tento lembrar-me se isto era para chegar a alguma conclusão ou se me estava apenas a apetecer deitar palavras em cara ou coroa.

Alguma coisa era…

Play it again Sam!