menos um centimetro, menos umas toneladas de madeira

Segundo o artigo da Gizmodo, o IKEA vai deixar de produzir a Expedit para a substituir por outra, com a mesma estrutura e capacidades de arrumação, mas com menos madeira.

Não sendo uma mudança visual que se note por aí além, o bom da ideia vem da noção de sustentabilidade que lhe está subjacente.

Menos um centímetro representa menos umas toneladas de madeira. É claro que para o negócio também representará menos custos a produzir a mesma peça, eventualmente com o mesmo preço de venda, mas acima de tudo, reduzir o impacto dos produtos na natureza parece-me sempre uma boa abordagem.

Esta visão do IKEA representa, para mim, um compromisso sério com a noção de sustentabilidade e de que vivemos num mundo global, onde as nossas acções têm impacto no quintal dos outros e mais tarde ou mais cedo no nosso. São como o karma… mais dia menos dia caem-nos na cabeça ou elevam-nos.

Em acções de sensibilização ao tema do ambiente é frequente falar-se do urso polar que vai ficar sem casa por causa do degelo… pois… parece que este inverno já nos mostrou que quem vai ficar sem casa somos nós.

E portanto tenho que deixar a pergunta… na tua vida, onde é que “um centímetro” pode fazer uma diferença substancial para ti e para o bem-estar do mundo?

p.s Já por aqui falei muitas vezes dum livro que me marcou bastante, o The Necessary Revolution, e recentemente ouvi o The Future, do Al Gore, e os dois não podem ser mais claros na necessidade de pensarmos o mundo de forma global e de alinharmos as nossas acções com isso. Arranjem tempo para os ler.

 

Reciclar é um placebo! Soluções a sério precisam-se!

Vou ali ao mini-mercado da esquina e compro dois pãezinhos, que estão à venda à unidade. Nada de novo. A menina pega nos pães e entrega-mos dentro da bonita caixinha de plástico. Bonito não é?

Continuamos a assistir placidamente a estas coisas: a nós, consumidores, dão-nos o ónus da reciclagem senão matamos o planeta, vamos para o inferno, somos comparados a macacos, chamam-nos nomes… mas vamos lá a fazer as perguntas certas.

Onde é que começa o desperdício? Quem é que continua a inundar o mercado de coisas desnecessárias que vivem brevemente entre a fábrica e o eco-ponto? Quem é que inventa embalagens desmesuradas e falhas de bom-senso para aquilo que vão transportar?

Segunda parte da aventura, quando cheguei à caixa para pagar fiz o reparo ao gerente da loja… e a resposta? É que as caixas de plástico trazem prazo de validade e ou as usa, mesmo que em coisas aparentemente parvas, ou as deita fora, assim linearmente, senão apanha com uma inspeção e paga multa.

Portanto… a embalagem tem prazo de validade. Porquê? Decompõe-se ao fim de 300 mil anos e pode prejudicar alguém? Vamos a mais perguntas? Quem é que faz e aprova este tipo de legislação? Porquê? Tragam lá os estudos “independentes” que tenho aqui uma trituradora de papel faminta.

Resumindo e relembrando o outro senhor… e o burro sou eu?

 

 

Permacultura (ou como teorizar sem praticar)

Este fim-de-semana fui ajudar o sogro (coisa que fica sempre bem) na grande apanha da azeitona. E para um rapaz vindo do campo urbano, esta foi a minha primeira vez.

Foi divertido, foi sim senhores.

E dei por mim a pensar que de facto isto anda tudo ao contrário. Há gajos na cidade que fazem qualquer coisa e apropriam-se de qualquer canteiro para fazer uma horta, e gajos no campo que fogem disso a 7 pés e sonham com a vida na cidade, no shopping, na balburdia de onde depois fugirão com excesso de stress.

Passear na vila e vê-los encostados ao café de mini na mão enquanto os velhos se esfalfam na lavoura, sem que ninguém os ajude é um bocado triste. Destas azeitonas sei que vou ter azeite do bom até à próxima colheita. Se existir… porque por este andar as próximas azeitonas ficam na árvore.

E mesmo este ano, das 180 existentes devem ser apanhadas umas 30 no máximo. Ainda assim dará para umas duas toneladas ou mais de fruto.

O outro ponto dos meus pensamentos perdeu-se nos ecologistas e permacultores, um nome fino que agora se dá a quem idolatra a vida junto da natureza. E grande parte deles nem sequer sabe que para apanhar tomate não é preciso uma escada. Na azeitona sim, dá jeito.

A ideia que quero deixar é simples: porque é que os meninos permacultores não se armam em brigada de alfabetização e vão por esses campos fora ajudar os velhotes a apanhar azeitonas, a cuidar das hortas, dos animais e etc? Em paga virão carregados de coisas boas do campo, é esse o modelo de negócio.

Faz doer as costas não é? “Permacultar” no facebook é mais fácil não é? E não suja as unhas. Pois é… depois venham-me cá com teorias que já vos digo onde as podeis plantar.

Mais prática e menos pregação, que isso é para os padres e a esses já deixei de os aturar à muito tempo.

As férias no Zmar

A ideia não é fazer-vos inveja das minhas férias que agora terminam… ou talvez seja. 🙂 Esta era a minha vista diária.

Descobri o Zmar através de uma amiga sempre atenta a estas coisas e contrariamente ao que é habitual fiz a reserva em Maio. Daí até lá chegar fartei-me de ouvir vozes a bradar aos céus que clamavam que nem mortos, que aquilo estava uma desgraça, que nem daqui a 10 anos, um deserto… etc etc etc.

Pois vim de lá a pensar que se calhar este até foi o melhor dos anos para lá ter passado férias.

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Reconversão Urbana

As cidades estão desertas… o vento corre nas vielas e assobia… as noites são tenebrosas e assustam… mas os suburdios estão na mesma… e o petroleo a subir… e você, depois de 3 horas de trânsito tem 10 segundos para usufruir da sua sala de estar com lareira e 50 metros quadrados. O tempo ideal para adormecer no caminho antes de chegar ao quarto porque já só tem 3 horas para dormir.

E isto porque tudo, porque você, sua besta, resolveu comprar casa no cu de judas, onde não tem nada, só porque era barato e grande. Grande devia ser o $%&# que o $%&&#$$ no dia dessa decisão. Então não era melhor ter comprado casa na cidade ó estúpido?

Vivias perto do emprego, andavas a pé, passeavas na cidade e isto já não era um deserto. E mais, os montes da Amadora e Queluz eram verdes, não tinham prédios e não havia cheias em Algés.

Era assim que pensava iniciar um guião dum filme mas de repente achei-o muito violento. Vou por outro caminho.

The Slow Money Movement

A propósito do movimento Slow Money, fiquei a pensar nas pequenas lojas de bairro que têm um potencial de oportunidade e poucas o sabem aproveitar, principalmente numa época de crise económica ou de choque petrolífero como o que vivemos este verão.

E na reabilitação e revitalização dos centros urbanos, esta é uma questão essencial.

Não será a dimensão da economia local a que se refere Stowe Boyd no seu artigo, mas é um principio e tem sido muito desprezado na revitalização e reabilitação urbana. Por culpa de todas as partes.

E não sendo resolvido, o dinheiro circula para fora do domínio da proximidade, não promovendo a nossa “aldeia”.

Quando penso no futuro do comércio local penso em serviços que me facilitam a vida e na personalização e proximidade desse serviço, com um nível de preços justo e adequado. Penso em horários diferenciados, adequados ao ciclo de vida do bairro, abertos em contra-ciclo com o meu horário de trabalho. Penso nas entregas em casa, quer a pensar nos idosos quer nas jovens mães quer na minha preguiça em carregar coisas escada acima. Penso nas compras pela quantidade adequada ao meu consumo, sem embalagens superfulas e sem desperdício.

Se este comércio local precisa de ser estimulado e incentivado a mudar, também nós devemos fazer um primeiro esforço para o usar e para o desafiar a mudar. Em nome da comunidade e do bairro ou da aldeia onde vivemos. Para que ela se desenvolva e em última análise se valorize, valorizando efectivamente o nosso investimento imobiliário.

Por outro lado, esta dinâmica introduz ainda factores de segurança na comunidade, porque a torna viva, vivida, sempre em movimento, chamando mais gente a viver nela.

E assim se desenvolve uma aldeia, uma vila, um bairro numa cidade, uma cidade e um país.