Changing Places, a cidade inclusiva começa no rés-do-chão

Diz o ditado que quem anda à chuva molha-se e como tenho a mania de andar sempre a pregar ideias para a cidade nos foruns privados e nas conversas entre amigos, a semana passada fui chamado à pedra e lá dei o corpo ao manifesto no Ignite Orçamento Participativo que aconteceu no Terreiro do Paço.

Fui apresentar uma ideia que já andava a boiar à que tempos mas que, ao contrário de outras, ainda não tinha visto a luz do dia. Andava só em circuito interno.

A coisa é simples: porque não recuperar e qualificar habitações de rés-do-chão para realojamento de idosos em situação de isolamento?

Os argumentos apresento-os na apresentação e já tenho a coisa registada e apresentada no Orçamento Participativo.

Se é exequível? Sim, com uma boa gestão dos processos, respeito pelos idosos que devem ser realojados, com custos controlados na requalificação, em rede com as outras instituições da cidade que actuam nesta área, fazendo da ideia mais uma peça do puzzle.

Se é uma ideia sustentável, também acredito que pode ser, depende do modelo de negócio, que deve perseguir o lucro social.

Mas acima de tudo aquilo em que acredito é que os “danos” colaterais de uma ideia destas podem impactar em muito a vida da cidade pelas mudanças que podem introduzir.

A discussão está aberta, qualquer pensamento, sugestão ou critica… caixa de comentário ou email, como preferirem.

Marcas inteligentes

É engraçado que quando a maior parte de nós pensa em IBM pensa em computadores do tempo dos dinossauros e numa empresa que aparentemente terá morrido engolida pelos google’e e microsofts da vida.

Pois aparentemente pensamos mal e já há algum tempo que acompanho alguns dos seus sites dedicados à vida nas cidades, ao suporte tecnológico para cidades mais eficientes e melhor geridas, à captação de ideias em volta do tema, etc.

Esta ultima campanha para a promoção do site People4Smartercities é muito boa e marca que de facto, a marca pensa e respira a vida nas cidades.

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Deixo-vos o vídeo e as imagens via CR

IBM & Ogilvy France Create Ads With A New Purpose in its latest “People For Smarter Cities” from Ogilvy Paris on Vimeo.

Co-Criação e Design Generativo

Já no blog da Active andei a dissertar sobre bio-conteúdos, uma das coisas que me tem andado a martelar as ideias. E desde que vi a primeira impressora 3D em acção na saudosa Reboot em 2009, que acredito que o futuro está nestas novas formas de criar, produzir, inventar, inovar, gerar, renegerar.

Olhar para o potencial que nos trazem estas novas tecnologias de criação é quase pensar em nós como Deuses… já se imprimem orgãos humanos, já se imprime comida, já se imprimem peças à medida e acima de tudo à nossa medida. Já se fizeram coisas para reciclar o plástico em casa e gerar material para imprimir peças novas. A caminho duma nova forma de sustentabilidade, podemos também dizer.

Outro dia deparei-me uma frase de Avinash Rajagopal no seu livro Hacking Design e que me fez todo o sentido. Já não estamos a falar de DIY (do it yourself) mas a falar de Do It For Yourself. Se isto não faz sentido então expliquem-me porque é que tanta a gente gosta de personalizar a capa do seu telemóvel ou de ter uma coisa única, exclusiva, diferente de toda a gente. E réplicas?

Hoje li um artigo, que se aproxima da minha ideia do bio-conteúdo. Um senhor do MIT quer apostar no 4D, em mobilia que se possa montar a ela própria, por exemplo:

Thus, while 3-D printing uses plastic to build computer renderings, 4-D printing involves printing materials that then turn into whatever you’re trying to make.

A brincar aos deuses, sem dúvida, deixa lá o teletransporte, isto é muito mais interessante. Resumindo, sim, estou totalmente apaixonado por isto e não acabo o ano sem mandar vir a 3D print cá para casa.

De caminho, e se este tema também vos interessa, deixo o desafio de espreitarem a novissima pós-graduação do IADE, Co-Criação e Design Generativo para a Inovação ou passem pelo Facebook e façam perguntas aos mentores da coisa, o Américo Mateus e o Brimet Silva.

O pequeno disclaimer deste artigo é que sim, depois de anos de costas voltadas, me voltei a aproximar do IADE e até lá dou umas aulas de vez em quando, mas a novidade e importância do assunto sobrepôe-se a isso tudo.

Paragens de autocarro

Das muitas peças de “mobiliário” urbano com que tropeçamos todos os dias, há uma que ainda não evoluiu para dar boa resposta às necessidades de quem a usa. Falo da paragem de autocarro.

As que conheço foram desenhadas por um designer que faz coisas sem deixar a secretária, sem experimentar as coisas e sem saber o que as pessoas realmente precisam. Para já deverá deixar de dizer que é designer, uma vez que esta atitude está nos antípodas.

Em oposição vejo projectos que levam a paragem para o universo do hotel de 5 estrelas, ignorando que as mesmas precisam de ser feitas em quantidade, que vão estar presentes em tipos de ruas completamente diferentes, que não podem ou devem ocupar demasiado espaço na rua, que precisam de baixa e fácil manutenção, que devem ser robustas, e ao mesmo tempo, devem apresentar algum grau de conforto e segurança na espera, protecção contra as agruras do meio-ambiente, informação actualizada e acessibilidade.

A paragem de autocarro tal como a conhecemos será uma das principais responsáveis pela desistência de uso do transporte público. Num dia de chuva, qualquer paragem de autocarro é uma bomba relógio imprópria para cardíacos, capaz de atirar com o ego mais elevado para a sarjeta mais próxima.

Posto isto, hoje encontrei um concurso muito curioso, o Seeking Shelter Design Challenge:

Imagine  how a bus stop could be designed to renew, refresh, and connect people. Would you put in a mini community garden box? Solar cells? Bookshelves for  informal book sharing? A small business kiosk?

Os concorrentes terão que ter as ideias mas também prototipar e submete-las a um júri que as vai votar e premiar. Parece-me uma excelente ideia especialmente porque acrescenta um layer novo, o de querer fazer da paragem de autocarro um elemento activo na comunidade.

E agora podemos fazer um brainstorm colectivo e informal. O que é que fariam para tornar a paragem de autocarro mais agradável, mais acessível, mais informativa, mais segura? Que elementos lhe acrescentariam? Com quem a casavam? Paragem de autocarro +  consultas de tarô? Tai chi?

Your turn 🙂

Share it!

Quando por cá andamos a defender o uso da bicicleta como solução de mobilidade, quando já começamos a ter ciclovias e ecopistas e até alguns pontos de estacionamento, quando até já temos ladrões de bicicletas, vale a pena começarmos a pensar em alguns dos efeitos secundários deste movimento e a agir antes que seja tarde.

Ser dono?

A foto deste artigo é de um dos maiores parques de estacionamento de bicicletas em Amsterdão e acreditem-me, não é o único nem é suficiente. Os passeios estão cheios delas, em muitas montras encontramos sinais de proibido estacionar, algumas ruas tornam-se insuficientes para a circulação normal de pessoas e bicicletas e estacionamento, o que retira à cidade toda a boa onda obtida com este movimento.

Sendo uma cidade de canais, encontrei muitos batelões, propriedade da “autarquia”, a servirem de estacionamento. Mas mesmo assim, e mesmo grátis, não chegam nem para metade das necessidades.

Bicicletas sim, muitas e cada vez mais, mas teremos que ser donos delas? Teremos que as ter espalhadas por todo o lado à espera de serem usadas, a ocuparem espaço público e a perturbarem a livre circulação de peões?

Partilhar?

Noutras cidades, e tomando o exemplo de Paris que me pareceu o mais eficaz, optaram pelas bicicletas partilhadas em coordenação com os transportes públicos, o que leva a que sejam necessárias menos bicicletas para servir mais pessoas, que seja necessário menos espaço para estacionamento e a que mais pessoas usem a bicicleta em trajectos de proximidade, deixando para o transporte público a parte mais complicada ou longa dos percursos.

Espalhados pela cidade encontramos pontos de estacionamento/levantamento das bicicletas, quase sempre nas proximidades das estações de metro ou nos grandes terminais de transportes. Ao longo do dia reparei que alguns carros faziam o transbordo de bicicletas entre zonas onde já havia demasiadas para zonas onde faziam falta. Não é difícil imaginar que pela manhã, e pensando em Lisboa, as bicicletas no Campo Grande estivessem em falta e no Saldanha sobrassem.

Usar, partilhando!

Quanto mais penso nas questões do consumo e na sustentabilidade do mundo, mais fico adepto das soluções de partilha, de uso comunitário e de consumo colaborativo.

Se a solução das bicicletas partilhadas pode levar a que mais gente as use juntamente com o transporte público (e ajudando a que sejam auto-sustentáveis), evitando carros em circulação, reduzindo o nosso consumo fóssil e a nossa dependência da energia exterior, reduzindo poluição, ganhando em saúde pública e na qualidade do ar que respiramos, nos benefícios pessoais pelo exercício físico diário e regular, então diria que não há outra coisa a fazer que não seja implementar esta ideia.

Ao poder local pedimos apoio institucional para que os processos de licenciamento sejam céleres e os esforços de coordenação com a rede de transportes facilitada, eventualmente até revista, dado o impacto positivo esperado.

As coisas debaixo do nariz: lusofonia, Açores e etc

A edição deste mês da Monocle é dedicada à Lusofonia e ao potencial de negócio e de desenvolvimento que tem por detrás, chamando a atenção do resto do mundo para esta realidade.

Mas aqui para nós que somos lusófonos, aquilo que a revista faz é meter-nos à frente dos olhos o que tem estado debaixo do nosso nariz e que por isso mesmo temos sempre alguma dificuldade em ver ou em conceber que pode ser feito de maneira diferente.

O artigo sobre os Açores e as ideias que levanta para o melhor aproveitamento da região é prova disso mesmo. Precisamos mesmo de fazer um reset e olhar para as coisas com olhos frescos e pensamento positivo e perceber como é que de facto as podemos aproveitar melhor em nosso próprio proveito. Voltando aos Açores, a história de como é que o chá acabou a ser plantado na ilha é a prova disso. E para quem não sabe (eu não sabia), é o único sitio da Europa onde se planta chá.

E não temos que esperar que alguém venha dar autorização nem precisamos que alguém escreva um desígnio nacional para que as coisas se começem a desenrolar. Vamos é arregaçar as mangas e começar. Depois logo se vê.

Não sei se já aterrou por cá mas assim que puderem comprem e leiam.

 

Velhos? Não, Fantásticos!

O tema da reforma volta a estar no ordem do dia. Ou porque nos obrigam a trabalhar mais anos, ou porque não sabemos se o sistema é sustentável, ou porque ansiamos pela idade em que não teremos obrigações para nos dedicarmos aos hobbies e às listas de coisas que vamos criando sob o tema “quando me reformar…”.

Mas o que é certo é que muitos dos reformados se aborrecem porque ou acabam sem nada de estimulante para fazer, ou sem companhia, ou não estão para se dedicarem ao dominó na sombra do jardim. E os dias começam a correr cinzentos.

E muitos deles, a maior parte, terão um fundo de conhecimentos e experiências que podem partilhar com outras pessoas. Quanto deste conhecimento não fica desperdiçado, perdido, inútil? Muito!

Com o lema “Try Something Old”, o site The Amazings é um projecto que pretende ajudar os reformados, ou prestes a reformarem-se, a criarem eventos de partilha dessa experiência. Um ensina a fotografar, outro a tocar bateria, outro a cozinhar, outro a pintar vidro.

As experiências podem ser compradas por qualquer pessoa e até oferecidas como prenda.

E assim se dá utilidade a uma pessoa e ao seu know-how, se constrói uma comunidade e se juntam gerações.

Velhos? Nem por isso! Amazings! E é uma pena que fiquem desperdiçados.

 

 

Empreendedorismo e Revitalização da Cidade

Hoje dei com a notícia do lançamento deste curso e achei a coisa muito interessante. Acima de tudo porque pretende ensinar empreendedorismo tendo como objecto e espaço de trabalho a cidade de Lisboa.

Lisboa é uma cidade cheia de oportunidades latentes, de espaços vazios ou abandonados, à espera que algo aconteça. Estive recentemente no Porto e é incrivel ver como a Baixa se tem desenvolvido para lá do primeiro núcleo de “movida” que se gerou na Cedofeita e já contamina outros sítios. É tão agradável andar numa cidade assim. Encontrar lojas antigas transformadas em espaços de venda e ateliers criativos, em bares e restaurantes, ao lado de lojas tradicionais que se mantiveram e que agora ganham novos clientes, logo seguidos de talhos e mercearias a dar cor e a não deixarem que as coisas se fiquem apenas pelo lazer.

E Lisboa? Não temos a Estefânia e o Chile, centro da cidade, em ponto rebuçado? As Avenidas Novas totalmente ao abandono? Alcântara? Alfama? Castelo? Tanta loja abandonada e tanto negócio que se pode inventar.

Empreenda-se! Pim! Revitalize-se e reutilize-se!

Sobre o dito curso, é pena que seja tão caro senão tinham-me lá.

 

Urbanized

O Urbanized foi um dos primeiros projectos que decidi apoiar através do Kickstarter e agora que vi o filme não me arrependo nada de o ter feito. Fiquei mesmo a pensar organizar um visionamento público para quem se interessa pelos temas do urbanismo e pelos desafios que as cidades nos apresentam aos dias de hoje.

É também um filme a oferecer a muitos autarcas e urbanistas e arquitectos que continuam a tomar decisões sem tomarem em conta a experiência ou os desejos dos habitantes, sem os envolverem devidamente, com medo das ideias e opiniões que daí possam vir.

Está na altura de devolver as cidades aos seus habitantes e de as preparar para a necessidade de mudarmos de vida, para uma vida menos dependente dos carros e das fontes de energia necessárias para os porem a mexer, de revitalizarmos os bairros e a vida comunitária… e com tanta matéria prima a ficar disponível é uma parvoíce não a aproveitarmos.

Enquanto não organizar o tal visionamento podem alugar o filme via iTunes e depois dizer coisas.