menos um centimetro, menos umas toneladas de madeira

Segundo o artigo da Gizmodo, o IKEA vai deixar de produzir a Expedit para a substituir por outra, com a mesma estrutura e capacidades de arrumação, mas com menos madeira.

Não sendo uma mudança visual que se note por aí além, o bom da ideia vem da noção de sustentabilidade que lhe está subjacente.

Menos um centímetro representa menos umas toneladas de madeira. É claro que para o negócio também representará menos custos a produzir a mesma peça, eventualmente com o mesmo preço de venda, mas acima de tudo, reduzir o impacto dos produtos na natureza parece-me sempre uma boa abordagem.

Esta visão do IKEA representa, para mim, um compromisso sério com a noção de sustentabilidade e de que vivemos num mundo global, onde as nossas acções têm impacto no quintal dos outros e mais tarde ou mais cedo no nosso. São como o karma… mais dia menos dia caem-nos na cabeça ou elevam-nos.

Em acções de sensibilização ao tema do ambiente é frequente falar-se do urso polar que vai ficar sem casa por causa do degelo… pois… parece que este inverno já nos mostrou que quem vai ficar sem casa somos nós.

E portanto tenho que deixar a pergunta… na tua vida, onde é que “um centímetro” pode fazer uma diferença substancial para ti e para o bem-estar do mundo?

p.s Já por aqui falei muitas vezes dum livro que me marcou bastante, o The Necessary Revolution, e recentemente ouvi o The Future, do Al Gore, e os dois não podem ser mais claros na necessidade de pensarmos o mundo de forma global e de alinharmos as nossas acções com isso. Arranjem tempo para os ler.

 

Grandes bigodes

Ainda não percebi se gosto mais de ser aluno ou ser professor, mas como já muita gente disse por aí, ensinar também é aprender e é um desafio porque de repente nos obriga a sistematizar conhecimento, a enquadrá-lo, a dar-lhe contexto e ao mesmo tempo a fazer algumas sínteses que na correria dos dias nem sempre são possíveis.

Esta foi a turma da segunda edição da Pós-Graduação de Gestão da Criatividade e do Design para a Inovação Empresarial (ufa) a quem fui apresentar os conceitos de Transmedia Storytelling e não só. Assumindo a cultura de convergência lancei as pontes com conceitos que normalmente se deixam de fora: user experience, social media, SEO, conteúdos, digital, analógico … ah, e tecnologia.

E porque é que estão todas, e o Moisés, de bigode? É uma longa história ou a boa resposta ao desafio lançado durante as aulas e que se concretizou numa ideia que até pode vir a dar um bom negócio… ou dois. Afinal é esse o objectivo da pós-graduação: inovar e empreender.

A minha parte está para já terminada mas vou ficar de olho nestes bigodes porque até final do ano suspeito que nos vão dar boas surpresas. 🙂

Saloio-Chique

Desde há uns tempos que assistimos a uma das tendências mais interessantes na construção de novos espaços de lazer: a reutilização de produtos antigos, quase em estado de irem parar ao lixo, e a sua ascensão ao estado de objectos de culto dentro dum determinado contexto.

Já não se trata apenas de ter peças antigas como elementos decorativos, agora são objectos de uso efectivo: os pratos velhos chegam à mesa para nos servirmos.

É a verdadeira explosão da reutilização e eu resolvi chamar-lhe saloio-chique.

Para os mais jovens aquilo é altamente. Para mim, que vivi no meio das peças, é divertido e contraditório ao mesmo tempo, porque me lembro de termos odiado aquelas coisas velhas e de termos querido coisas novas e modernas para nos alegrarem a vida. Tivessem andado de calças à boca de sino a ver se achavam alguma graça ao revivalismo.

Ultimamente tenho ganho o direito a algumas noites mais livres e tenho descoberto as novas pérolas da capital: a nova vida do Cais do Sodré,  os bares de putas transformados em cabarets, ateliers criativos e etc, uma velha loja de artigos de pesca transformada em bar sem que nenhuma das prateleiras e dos produtos anteriormente expostos tivesse sido removido.

É trend, é fashion, é chique e é espectacular ver como um espaço pode ter um uso tão distante do original, acrescentando valor à nova oferta. Tenho que perguntar ali à antropóloga se isto tem nome… mas para mim, volto a dizer… é saloio-chique!

A tendência da redescoberta do antigo como forma de recuperarmos os valores da tradição em busca de chão mais sólido para pisar já é conhecida e está assumida, mas agora vejo-a a ganhar outros contornos que acho mais interessantes pelo potencial de recuperação dos núcleos urbanos. E as nossas cidades têm condições únicas para o fazerem. Aproveitem-se!

foto gentilmente gamada ao Freshland