Recolha selectiva porta a porta sff

O meu amigo Pedro anda às voltas com um dos muito monos que povoam a cidade desde os anos 80 (se não me falha o Alzheimer) que dá pelo nome de vidrão. Surgiu como a primeira abordagem à recolha selectiva de vidro para reciclagem.

O problema é que estes monos, assim como acontece com os ecopontos, e dada a falha de inteligência do indigena, se transformam rapidamente em depósitos de lixo, onde o preguiçoso do pseudo-cidadão-consciente-e-promotor-de-reciclagem-#not despeja tudo o que lhe apetece, limpando a sua infima consciência e sujando a via pública em quantidades inversamente proporcionais à inteligência.

Por isso temos que voltar a perguntar até que a voz nos doa: para quando a recolha selectiva de lixo porta a porta? E quando poderá ser essa recolha ser feita com o mesmo caixote do lixo do prédio? É que 3 caixotes na portaria pura e simplesmente não cabem. E para quando a inclusão de vidro num desses dias? E quando deixaremos de ter monos espalhados pela cidade mesmo que os pintem e disfarcem de arte urbana?

E para que serve a policia municipal se não multa não fiscaliza não actua não aparece?

O vidrão foi giro, mas já não serve para nada e é um caso de saúde pública que importa resolver já!

Amigo Pedro, estamos contigo!

p.s foto gamada ao Pedro sem qualquer especie de autorização

Changing Places, a cidade inclusiva começa no rés-do-chão

Diz o ditado que quem anda à chuva molha-se e como tenho a mania de andar sempre a pregar ideias para a cidade nos foruns privados e nas conversas entre amigos, a semana passada fui chamado à pedra e lá dei o corpo ao manifesto no Ignite Orçamento Participativo que aconteceu no Terreiro do Paço.

Fui apresentar uma ideia que já andava a boiar à que tempos mas que, ao contrário de outras, ainda não tinha visto a luz do dia. Andava só em circuito interno.

A coisa é simples: porque não recuperar e qualificar habitações de rés-do-chão para realojamento de idosos em situação de isolamento?

Os argumentos apresento-os na apresentação e já tenho a coisa registada e apresentada no Orçamento Participativo.

Se é exequível? Sim, com uma boa gestão dos processos, respeito pelos idosos que devem ser realojados, com custos controlados na requalificação, em rede com as outras instituições da cidade que actuam nesta área, fazendo da ideia mais uma peça do puzzle.

Se é uma ideia sustentável, também acredito que pode ser, depende do modelo de negócio, que deve perseguir o lucro social.

Mas acima de tudo aquilo em que acredito é que os “danos” colaterais de uma ideia destas podem impactar em muito a vida da cidade pelas mudanças que podem introduzir.

A discussão está aberta, qualquer pensamento, sugestão ou critica… caixa de comentário ou email, como preferirem.

Algo muda na Pascoal de Melo

Muitas vezes nos perguntamos aqui em casa se será possível surgir em Lisboa uma dinâmica alternativa como a que aconteceu no Porto com a R. Miguel Bombarda, que de repente se tornou um polo de atração de novos artistas, galerias, crafters, lojas alternativas de roupa e cultura, etc.

E onde poderia ser isso? A zona da Estefânia e Arroios parecem-nos sempre boas hipóteses.

Já no passado essa possibilidade existiu, se calhar antes de tempo, com a transformação do Centro Comercial Portugália num centro de lojas diferentes, onde a atração era feita pela Carbono ou pela Simbiose. Pouco a pouco foram fechando todas e hoje nem sei o que lá existe dentro (tenho medo de entrar).

A zona é barata, quer nas rendas quer na reconstrução, não está excessivamente degradada, ainda tem residentes e mesmo durante a noite tem movimento de gente. Há espaços vagos, há proximidade de transportes e está na proximidade de vários outros pontos de interesse e centrais da cidade, nomeadamente o Saldanha.

Faltaria aparecer um polo de atração suficientemente forte para atrair público e que a pouco e pouco fosse capaz de atrair outros negócios que começassem a beneficiar desse movimento.

E eis que esta semana abriram duas lojas novas que me deram alguma esperança de que algo esteja a mudar e vi também boa adesão do público a essas abertura. Uma foi a Padaria Potuguesa a outra foi a Oops, uma loja de mobiliário italiano para quartos de criança (coisas bem catitas).

De repente respirámos de alivio: os espaços vazios não foram entregues ao chinês… ufa! E foram apenas duas lojas a darem uma pedrada no charco. Qual será a próxima mudança? Quem se atreverá? Uma livraria alternativa? Uma loja de discos? Roupa? Com tanto designer de moda nesta cidade e não os vejo a abrir espaços de venda, nem que sejam partilhados.

Rua a rua podemos mudar uma cidade. Ainda hei-de ver Arroios nas páginas da Monocle.

p.s – um dos livros que está aqui para ser lido chama-se Small Mart Revolution e tem muito a ver com necessidade de recuperação do comercio local como forma de revitalizar a economia das comunidades, sejam grandes ou pequenas… a cidade tem muitas aldeias.

fotografia gentilmente “gamada” aqui

Tudo por causa de 4 cêntimos

Por causa dum pseudo-motivo ecológico, a maior parte dos grandes supermercados deixaram de dar sacos aos seus clientes e passaram a vendê-los. Acredito que se vendam menos dos que os que se ofereciam, mas ainda assim continua a não ser uma “dor” suficientemente grande para me fazer andar com o meu próprio saco. Por 2 cêntimos compro um saco e atiro para trás das costas o recorrente esquecimento.

Por outro lado, sempre que recuso um saco plástico noutros sítios, para além do alivio moral, não tenho qualquer tipo de “prémio” que me incentive a continuar esta prática.

Até que um dia… no Supermercado Brio tive uma agradável surpresa. A recusa do saco deu-me um desconto de 4 cêntimos. Surpreendido pedi explicações: simples, disseram, aqui damos o primeiro saco e só vendemos o segundo e seguintes, mas para quem não quer levar o saco descontamos o valor.

Não é nenhuma fortuna, mas é um primeiro prémio que em termos de efeito me faz sentir exactamente ao contrário da multa dos outros. Aqui, se não me esquecer, ganho 4. Nos outros perco 2.

E esta é a primeira parte do post. A segunda é mais intrigante.

Sempre que conto esta história aos meus concidadãos, vejo a maior parte a fazer contas de cabeça e a agarrar os buracos do sistema. Coisas do tipo: mas sempre que compras? Mesmo que seja várias vezes ao dia? E se for uma compra de 4 cêntimos não pagas nada? Hum… e ficam a pensar de olhos brilhantes a sonhar com a soma de vários 4 cêntimos por compra.

É o português mais profundo a vir ao de cima, o chico-esperto, o fura-vidas, o amigo da cunha, do esquema, do debaixo da mesa… aquelas que obrigam a que qualquer regulamento ou lei tenha 50 mil páginas para que todas as situações fiquem devidamente cobertas e ninguém possa fazer nada, ou que num cruzamento onde há um sentido obrigatório tenha que existir também a placa de sentido proibido e o proibido virar no sentido oposto.

Somos um povo criativo, sem dúvida… pena que ainda não tenham descoberto que essa criatividade pode ser utilizada noutras coisas que não na trafulhice.

Foto daqui: http://www.flickr.com/photos/lanaost/2543438347/sizes/z/in/pool-plasticbagsblow/

A sinalética, a inteligência e a educação

Este sinal quer dizer o quê? Para o aprendermos fomos (a maior parte de nós) obrigados a tirar um curso de condução para lhe aprendermos o significado.

Basicamente, é proibido ultrapassar.

A forma redonda e com uma orla vermelha indica-nos que é um sinal de proibição. O vermelho está convencionado como sendo o símbolo do perigo e por isso o proibido. Percebem agora as questões relacionadas com a lingerie vermelha, lanternas vermelhas, e coisas assim.

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E quê? Despenteia-me?

A expressão tem origem numa anedota mais ou menos velha:

Um cidadão, descrito na gíria da anedota como um deficiente todo atrofiado, está sentado num jardim, na sua cadeira de rodas.

Passa uma cidadã, descrita na gíria da anedota como uma boa toda boa daqueles mesmo boas.

O dito cidadão desdobra-se em piropos a roçar o ordinário, coisas do género: anda cá ó boa, fazia-te e acontecia-te e etc.

Vai daí a cidadã retorque-lhe: Ó senhor tenha juizo. Olhe que deus castiga-o!

– Quê? Despenteia-me?

Agora podia acrescentar palavra da salvação antes de fazer a minha breve homilia.

Não vou defender ou atacar ninguém, apenas dizer que tenho uma grande simpatia por figuras da nossa praça, seja qual for o seu quadrante de actuação, que chegam a este nível de liberdade e desprendimento onde a única coisa que têm a temer é que alguém os despenteie. E a maior parte deles já são carecas, logo até o despentear é relativo e pouco os afectará.

Outros, pobres, chegarão a esta idade e deslargam-se de outras formas.

Viva a verborreia.

A menina do Rádio Taxis

Hoje fiz uma viagem de taxi bastante “produtiva” mas também muito triste. Fiquei a saber que a Rádio Taxis embarcou nas novas tecnologias e na ânsia de melhor servir o cliente, os serviços vão passar a ser marcados através dum “pc”, ao taxi que for localizado mais perto do local da chamada.

Assim se chega ao fim de um ciclo de histórias delirantes, de sons roufenhos, de discussões acesas, de impropérios, de esquizofrenias entre o rádio da central, o rádio sintonizado num qualquer forum de ouvintes ou numa rádio popular, no vidro aberto para a cidade e para as palavras curtas gritadas aos restantes condutores.

No meio de tudo isto claro que tinhamos que dar também a nossa opinião e prestar toda a atenção às teorias da conspiração e demais delírios do taxista.

Vamos ganhar em silêncio, esperemos.

Com esta revolução, espero que não se vão também as simpáticas telefonistas, com quem tive flirts e casos “amorosos”, que sabiam mais da minha vida que eu, que me estranhavam locais ou horas e muitas vezes me resolviam embrulhos.

Senhoras a quem nunca vi a cara mas para quem imaginei histórias e idades.

… acho que vou sentir falta daquele “RÉEETALIS” cheio de estática… GPRS killed the radio star.