O que é um blog?

Escusam de pensar que vou dissertar sobre o que é efectivamente um blog… seja o que for, é acima de tudo um espaço de escrita. Caiu em desuso? Está fora de moda? Há outras cenas? Mais curtas e rápidas? Mais light por um lado e obesas por outro? Coisas que respondem aos impulsos do dia, coisas que são uma acção/reacção mas não propriamente… um pensamento.

Não que isto que vai sair daqui se possa considerar um grande e enorme pensamento, uma ideia filosófica que vai mudar a vossa vida para todo o sempre, que vos vai fazer repensar a vossa visão do universo. Eventualmente nem a minha mudará. Mas é um pedaço de escrita. Um resto mortal de neurónios que se atiram duma testa escorregadia para um abismo raso, sabendo que não haverá vida depois da queda. Blip… bipppppppppp. Flat, totalmente flat.

O que é um blog aos dias de hoje?

Aqui deste lado gostava que fosse tanta coisa. À velocidade de um post por ano é uma especie de fanzine de garagem na gaveta. Ou uma fanzine escondida numa gaveta duma comoda atulhada numa garagem ou num sotão onde ninguém se atreve a procurar seja o que for.

Um blog é isto?

Se é, é uma enorme falta de respeito para com o dito.

E foi isto.

Como viram, não foi grande coisa.

 

fotografia by gratisography

O que nos leva a escrever e o podcast esquecido

É engraçado perceber o que é que nos inspira a escrever. Hoje foi esta foto do Gratisography intitulada “Vintage Podcast”.

Gostei da foto, mas acima de tudo a imagem recordou-me umas tardes quentes de 40 graus na terra natal, onde o estio se passava a inventar programas de rádio com um prato de vinil, um leitor de cassetes e um gravador, sim, porque a malta queria a coisa gravada em condições para depois poder ouvir.

Ainda tenho que perguntar ao Zé Ricardo se sobrou alguma dessas cassetes no sotão dele porque no meu já não existe nada.

Eram boas tardes, em misturas, alinhamentos, escolhas, discussões sobre a melhor banda, textos inventados em cima do joelho e os silêncios enquanto as músicas tocavam para não perturbar a gravação.

Depois disso nunca me deu para fazer rádio, mesmo no auge das rádios piratas e das muitas oportunidades que havia. Depois disso, nem sequer me deu para fazer um podcast e bem pensámos nisso durante o Vida-On. Ainda hoje tenho alguma dificuldade em criar playlists para ouvir mais tarde.

E dei por mim a pensar… porquê? Porque é que nunca mais tive esta vontade se ainda por cima agora tenho os meios todos à mão e mesmo aqui à minha frente? Basta abrir a app, ela abre o micro, captura o som, grava o ficheiro, upload… já está. Simples mais simples não há e tendemos sempre a complexificar as coisas.

Talvez seja mais fácil escrever a “queixar-me” do tempo e nomeadamente do governo que tem a culpa do tempo. Apesar de tudo é mais fácil escrever e deixar correr dedos nas teclas.

Talvez seja mais fácil olhar para uma imagem e deixar correr umas linhas.

Talvez seja mais fácil despejar por aqui os bolsos que abrir a voz e deixar sair sons na forma de palavras.

O que nos leva a escrever? Hoje foi apenas a foto que está ali em cima. E nem sequer havia conquilhas. Amanhã logo se vê.

 

menos um centimetro, menos umas toneladas de madeira

Segundo o artigo da Gizmodo, o IKEA vai deixar de produzir a Expedit para a substituir por outra, com a mesma estrutura e capacidades de arrumação, mas com menos madeira.

Não sendo uma mudança visual que se note por aí além, o bom da ideia vem da noção de sustentabilidade que lhe está subjacente.

Menos um centímetro representa menos umas toneladas de madeira. É claro que para o negócio também representará menos custos a produzir a mesma peça, eventualmente com o mesmo preço de venda, mas acima de tudo, reduzir o impacto dos produtos na natureza parece-me sempre uma boa abordagem.

Esta visão do IKEA representa, para mim, um compromisso sério com a noção de sustentabilidade e de que vivemos num mundo global, onde as nossas acções têm impacto no quintal dos outros e mais tarde ou mais cedo no nosso. São como o karma… mais dia menos dia caem-nos na cabeça ou elevam-nos.

Em acções de sensibilização ao tema do ambiente é frequente falar-se do urso polar que vai ficar sem casa por causa do degelo… pois… parece que este inverno já nos mostrou que quem vai ficar sem casa somos nós.

E portanto tenho que deixar a pergunta… na tua vida, onde é que “um centímetro” pode fazer uma diferença substancial para ti e para o bem-estar do mundo?

p.s Já por aqui falei muitas vezes dum livro que me marcou bastante, o The Necessary Revolution, e recentemente ouvi o The Future, do Al Gore, e os dois não podem ser mais claros na necessidade de pensarmos o mundo de forma global e de alinharmos as nossas acções com isso. Arranjem tempo para os ler.

 

ink me

Entrei pelo estúdio adentro cheio de ganas. De álcool também. A decisão e a anestesia: uma garrafa de vodka sem laranja porque tenho medo de oxidar.

Desenrolei a folha de 2×1 onde tinha contornado o meu corpo, deitei-a na marquesa, poisei o molho de notas na mesa, pedi para me amarrarem não fosse querer desistir.

Ausentei-me e recolhi-me, imerso no que me esperava: ia tatuar-me todo, de cima abaixo, com as memórias de uma vida “Toma lá Alzheimer, já te lixei!”.

Ouvi as fivelas a fechar, a luva de latex a bater no pulso do Johny68, tatuador famoso na rua dele com os melhores Amores de mãe e Angola 74 jamais vistos. Diz quem sabe.

As agulhas zumbiram 8 horas de seguida, todo eu chaga, o Johny em transe, as putas da rua a entrarem e saírem, a apreciarem a dor em corpo alheio.

8 horas 8… e no fim, depois de tudo, depois de metido em gel e embrulhado celofane de cozinha, a Alcina grita da janela… “Psoríase está mal escrito!”.

 

O corpo dizia que…

“O corpo dizia que estava na altura de se virar. Não que me apetecesse. A dor era de alguma forma apetecível. Sentir aquele formigueiro que tolhia o lado direito era uma forma obscena de hipocrisia.

O corpo dizia que tinha saudades tuas. O corpo dizia que o enlouqueces. Eu ignorava-o. Tinha que me virar.

O corpo dizia que estava farto daquele postalinho de vida pendurado na parede imensa. Tens a certeza? perguntava-lhe eu.

O corpo… o corpo é uma farsa. Tão maior que a exposição que me levou a ver ontem. Pop Pop Super-Pop Colores. Gente e mais gente. O que tenho de suportar só para estar perto. Farsas festivas. “É uma farsa!” sussurrei-lhe. “És um caustico”. Sou um caustico.

O corpo dizia que estava na hora de sair, agora que já se tinha virado. Devagar, devagar para não ranger. Não lhe saia da cabeça o circulo branco sobre quadrado negro  pós-moderno absurdo delinquente urbano heroin chic.

O corpo dizia que… já lá vou, respondi-lhe e saí.”

Recolha selectiva porta a porta sff

O meu amigo Pedro anda às voltas com um dos muito monos que povoam a cidade desde os anos 80 (se não me falha o Alzheimer) que dá pelo nome de vidrão. Surgiu como a primeira abordagem à recolha selectiva de vidro para reciclagem.

O problema é que estes monos, assim como acontece com os ecopontos, e dada a falha de inteligência do indigena, se transformam rapidamente em depósitos de lixo, onde o preguiçoso do pseudo-cidadão-consciente-e-promotor-de-reciclagem-#not despeja tudo o que lhe apetece, limpando a sua infima consciência e sujando a via pública em quantidades inversamente proporcionais à inteligência.

Por isso temos que voltar a perguntar até que a voz nos doa: para quando a recolha selectiva de lixo porta a porta? E quando poderá ser essa recolha ser feita com o mesmo caixote do lixo do prédio? É que 3 caixotes na portaria pura e simplesmente não cabem. E para quando a inclusão de vidro num desses dias? E quando deixaremos de ter monos espalhados pela cidade mesmo que os pintem e disfarcem de arte urbana?

E para que serve a policia municipal se não multa não fiscaliza não actua não aparece?

O vidrão foi giro, mas já não serve para nada e é um caso de saúde pública que importa resolver já!

Amigo Pedro, estamos contigo!

p.s foto gamada ao Pedro sem qualquer especie de autorização

Reciclar é um placebo! Soluções a sério precisam-se!

Vou ali ao mini-mercado da esquina e compro dois pãezinhos, que estão à venda à unidade. Nada de novo. A menina pega nos pães e entrega-mos dentro da bonita caixinha de plástico. Bonito não é?

Continuamos a assistir placidamente a estas coisas: a nós, consumidores, dão-nos o ónus da reciclagem senão matamos o planeta, vamos para o inferno, somos comparados a macacos, chamam-nos nomes… mas vamos lá a fazer as perguntas certas.

Onde é que começa o desperdício? Quem é que continua a inundar o mercado de coisas desnecessárias que vivem brevemente entre a fábrica e o eco-ponto? Quem é que inventa embalagens desmesuradas e falhas de bom-senso para aquilo que vão transportar?

Segunda parte da aventura, quando cheguei à caixa para pagar fiz o reparo ao gerente da loja… e a resposta? É que as caixas de plástico trazem prazo de validade e ou as usa, mesmo que em coisas aparentemente parvas, ou as deita fora, assim linearmente, senão apanha com uma inspeção e paga multa.

Portanto… a embalagem tem prazo de validade. Porquê? Decompõe-se ao fim de 300 mil anos e pode prejudicar alguém? Vamos a mais perguntas? Quem é que faz e aprova este tipo de legislação? Porquê? Tragam lá os estudos “independentes” que tenho aqui uma trituradora de papel faminta.

Resumindo e relembrando o outro senhor… e o burro sou eu?

 

 

Crescer com o Transporte Público

O transporte colectivo é o futuro do transporte, não tenho dúvidas disso. E de que o transporte privado terá que ser muito mais sustentável que as actuais soluções, também não tenho dúvidas.

Tenho é dúvidas sobre as formas como a coisa se promove, especialmente numa sociedade onde a vaidade do transporte privado é uma extensão do ego, por um lado, e a rede de transportes se encontra muitas vezes desadequada das necessidades, desfasada nos horários, desfasada nos preços, sem soluções interessantes para o transporte familiar, e por aqui fora.

Uma campanha destas tem que ser muito mais apelativa que a actual campanha que está a correr por aí. Não imagino ninguém a olhar para um daqueles cartazes e a dizer “É pá vou passar a ir de metro”.

Como se trata dum alinhamento internacional fui espreitar o site da UITP e vale a pena olharmos para a diferença da abordagem nas fotografias.

As nossas estão aqui:

 

Changing Places, a cidade inclusiva começa no rés-do-chão

Diz o ditado que quem anda à chuva molha-se e como tenho a mania de andar sempre a pregar ideias para a cidade nos foruns privados e nas conversas entre amigos, a semana passada fui chamado à pedra e lá dei o corpo ao manifesto no Ignite Orçamento Participativo que aconteceu no Terreiro do Paço.

Fui apresentar uma ideia que já andava a boiar à que tempos mas que, ao contrário de outras, ainda não tinha visto a luz do dia. Andava só em circuito interno.

A coisa é simples: porque não recuperar e qualificar habitações de rés-do-chão para realojamento de idosos em situação de isolamento?

Os argumentos apresento-os na apresentação e já tenho a coisa registada e apresentada no Orçamento Participativo.

Se é exequível? Sim, com uma boa gestão dos processos, respeito pelos idosos que devem ser realojados, com custos controlados na requalificação, em rede com as outras instituições da cidade que actuam nesta área, fazendo da ideia mais uma peça do puzzle.

Se é uma ideia sustentável, também acredito que pode ser, depende do modelo de negócio, que deve perseguir o lucro social.

Mas acima de tudo aquilo em que acredito é que os “danos” colaterais de uma ideia destas podem impactar em muito a vida da cidade pelas mudanças que podem introduzir.

A discussão está aberta, qualquer pensamento, sugestão ou critica… caixa de comentário ou email, como preferirem.